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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Uma Meditação de Quaresma: Queda do Homen.

Dómine, quando véneris júdicáre terram, ubi me abscóndam a vultu irae tuae? Quia peccávi nimis in vita mea. Comíssa mea pavésco, et ante te erubésco: dum véneris judicáre, noli me condemnáre. Quia peccávi nimis in vita mea.- Oficio dos defuntos, rito Dominicano



Quéda do homem. Astucia do demônio. -lmprudencia d'Eva. - Fraqueza de Adão. - Bondade de Deus. - lnterrogação dos culpados. -Sentença contra o demônio. - Misericórdia e justiça para com os nossos primeiros pães. - Penitencia de Adão. - Sua sepultura no monte Calvário.  

Cumulados de honra e gloria, gozavam nossos primeiros pães, em o paraizo terrestre, de tudo aquillo que pôde satisfazer a creaturas racionaes: ao redor d'elles estava o mundo submisso a suas ordens; no porvir uma vida de delicias, e uma eternidade de gozos inefáveis no Ceo; acima d'elles um Pae que os velava e contemplava com amor.

Ah! mas não eram só estas vistas paternaes que se fitavam n'elles. Tambem os olhava Lucifer. Este criminoso Anjo, que acaba a de perder a sua felicidade, resolveu ter companheiros na sua ruína, fazendo a nossos primeiros pães cúmplices da sua revolta. Accommette o cruel estas innocentes creaturas, a fim de perder, em seu tronco, a todo o gênero humano.

Pareceu-lhe a serpente idonea para a sua empreza. Apossou-se do corpo d'este animal, o mais astuto, agil e destro de todos que o Senhor tinha creado sobre a terra. N'esta figura, endereçou-se á mulher, da qual conhecia o gênio fraco, curioso e crédulo. Primeiro a lisongeou com o amor da liberdade, e com ar compassivo disse-lhe: « Porque vos não permittiu Deus que comesseis indifferentemente de todos os fructos d'este jardim? "

Era, em vez de repulsar esta envenenada voz, e nem mesmo a escutar, para testemunhar quanlo era fiel a Deus, respondeu ao seductor:  « Nós temos liberdade para comer do fructo de todas as arvores do Paraizo. Quanto áquella porém, que está no meio do Paraizo, prohibiu-nos o Senhor que não comessemos, nem ainda lhe tocassemos, por mêdo que talvez viessemos a morrer. »



Era uma grande probabilidade de levar a cabo a tentação o começo d'esta prática; tanto é certo que não convém jamais raciocinar com o inimigo da salvação! E tanto á vontade lhe sahiu esta entrada, que o tentador dando mais um passo ousou dizer, como espirita de mentira, contra a palavra formal de Deus, que isto não aconteceria. E levou a tanto o atrevimento que attribuiu a um vil ciume esta prohibição de Deus.

«Sois bem nescios, lhe disse elle, em vos deixar assim intimidar; Deus sabe que no dia que comerdes d'este fructo, vossos olhos se abrirão; e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal. »

 D'est'arte, a primeira falta que commetteu nossa mãe, foi entrar em conversação com o tentador; a segunda, empregar os olhos no fructo da arvore prohibida. Em vez de o apartar da vista como uma cousa interdicta, recreou-se em olhar este perigoso objecto. O fructo era bello; parecia que devia ter um gosto exquisito. As promessas do tentador eram lisongeiras. A curiosidade, a vaidade e presumpção, trouxeram o esquecimento de Deus, e dissiparam o temor. A mulher, seduzida, lançou mão do fructo prohibido, e comeu d'elle.

Regosijava-se o tentador, mas parecia-lhe que Adão não cahiria no laço, e teria fineza bastante para se não deixar enganar tão grosseiramente (I ). Por isso não emprehendeu enganal-o, mas enfraquecêl-o. Contava alcançar d'elle victoria, uma vez que podésse tentar sua complacência por valimento de sua esposa. Eva defendeu-se tão mal d'este segundo ataque como do primeiro. Apresentou pois o fructo a Adão, o qual não foi seduzido pelas promessas do demônio, mas por uma condescendência cobarde e mulheril.

Assim comeu do fructo fatal, que o àespojou da sua innocencia, e lhe fez perder em um momento, a elle e seus descendentes, aquelles privilégios com que Deus o honrára para transmittir-lh'o , com o simples encargo de se fazer a si mesmo uma pequena violencia.

Até aquelle momento, Adão e Eva andavam nus como foram creados. Revestidos como estavam do manto da innocencia não e envergonhavam da sua nudez. Despidos d'esta innocencia, seus olhos se abriram, e o conhecimento de seu estado foi o primeiro effeito da sua prevaricação. Taes foram as desgraçadas luzes que lhes trouxe seu crime: a ciencia do bem e do mal, tam alardeada pelo tentador, não se estende a mais. Para se cobrirem, aproveitaram-se como poderam das folhas da figueira; das quaes fizeram cingidouros. Por isso não nos esqueçamos jámais que os nossos vestidos, quer sejam de linho, quer de purpura ou sêda, recordam-nos o peccado e a vergonha de nossos primeiros paes. Que vaidade poderemos tirar d'elles?

Immediatamente ouviram a voz do Senhor, que passeava no jardim, depois do meio dia. Estas palavras significam que o Senhor se apressou em fazer sentir aos culpados a falta que tinham commettido, a fim de os penetrar d'um vivo remorso. Bondade infinita! Depois que nosso primeiros paes transgrediram a lei que lhes havia dado, não cessa o Senhor de se mostrar misericordioso para com elles ; senão que, sempre similhante a si mesmo, lembra-se de que é Pae e Medico. Como Pae, vê seu filho aviltando sua nobreza e renunciando seu alto destino, para se rojar no lodo; e eis que, por sua ternura paternal, acode em soccorro do culpado, testemunhando-le ainda um campassivo interesse para gradualmente o arrancar da sua baixeza, e restabelecêl-o nos direitos que perdê- ra. Como Medico, acode apressurado para junto do doente, que jaz prostrado no leito do sofrimento, quer elle reclame ou não o soccorro de sua arte. Foi assim que Deus tratou o primeiro homem.

Entretanto, ouvindo a voz do Senhor, fugiram os culpados a esconder-se entre a folhagem do jardim: estranho delirio o de julgarem poder occultar-se aos olhos do Todo Poderoso, que em toda parte está presente! Dirieis que eram estes domesticos insolentes, que para fugirem da vista de seu amo irritado, vão esconder, por todos os cantos e recantos da casa, a sua- perturbação e mêdo. Assim Adão e Eva, não achando asilo, correm a esconder-se na casa do mesmo amo que ultrajaram, entre o arvoredo e a folhagem do jardim.

Apezar d' esta precaução, bem depressa os alcançou a soberana Justiça. Eil-os descobertos e em presença do Juiz. Attendamos, e ouçamos com silencio e dôr o interrogatorio dos culpados : são nossos paes que vão ser julgados; escutemos o que respondem os réos e a sentença pronunciada, assim contra elles como contra o perfido instigador do crime. Lembremo-nos primeiramente d'esta ameaça que Deus fizera a nossos primeiros paes: «No dia que comerdes do fructo da arvore do conhecimento do bem e do mal, morrereis.»  A morte do corpo e da alma, tal devia ser a punição dos deliquentes. O que Deus fizera com os Anjos rebeldes estabelecia um precedente terrivel: o genero humano merecia desde logo ser precipitado na morte eterna, e a justiça de Deus parecia interessada em a rigorosa execução da sentença. Que fará este Deus que é ao mesmo tempo Juiz e Pae? Como conciliará as reclamações da sua ternura e os direitos da sua Justiça? Presenciemos este grande processo.

O Senhor Deus chamou Adão, e lhe disse: «Adão, onde estás tu?» Chamava-lhe pelo nome, a fim de o animar. Adão responde: «Eu ouvi a vossa voz no jardim,  e tive mêdo; porque estava nú, e escondi-me.» Tornou o Senhor: «Como sabes que estavas nú, senão porque comeste do fructo prohibido?» Estas primeiras perguntas mostram-nos em toda a luz a inexhaurivel clemencia do juiz. Elle podia não endereçar ao culpado uma só palavra; mas pronunciar logo a sentença de morte, com que o tinha ameaçado. Não o fez porém; antes comprime a sua justa indignação; interroga-o. permitte-lhe que se defenda. Que responderá o accusado? «A mulher que me déstes por companheira, respondeu Adão. offereceu-me do fructo d'esta arvore, e comi.»

Não pôde o réo negar o crime ; mas em vez de se humilhar e recorrer á clemencia do juiz, attribue o seu crime á mulher, que Deus lhe dera. Parece accusar ao mesmo Deus de ser a primeira causa da sua ruina. Similhante desculpa não era admissível. Por isso, nem o Senhor se dignou attender-lhe. Convencido Adão de desobediencia, passa a interrogar o outro culpado. Porque fizeste tu isto ? pergunta elle á mulher ; como se lhe dissera: tu ouves a queixa que teu marido faz contra ti, porque foste o instrumento da tua e sua desgraça?

Eva respondeu : « A serpente me enganou, e comi do fructo.»

D'est'arte se não defende melhor que seu marido. Adão desculpava-se com a mulher, esta com a serpente. Não insiste o Senhor no interrogatorio ; pois o não faz para se instruir a si, que nada lhe é occulto ; mas para dar uma prova de sua clemencia para com os culpados, e proporcionar-lhe occasião de justificar-se, se lhes é possível. Depois d'interrogados nossos primeiros paes, dirige-se ao provocador, não para ouvir sua defesa, nem ainda interrogal-o, mas para lhe pronunciar a sentença. Sem lhe perguntar porque? como fez com Adão e Eva, assim lhe diz logo : « Pois que fizeste isto, tu és maldita entre todos os animaes e bestas dos campos; andarás de rajo sobre o ventre, e comerás terra todos os dias da tua vida. Porei inimizades entre ti e a mulher, entre a tua descendencia e a sua. Esta descendência te esmagará a cabeça; e tu estenderás laços a seus pés. »



Estamos impacientes por saber como foi punida a serpente e não o demonio; o instrumento e não o author do crime? Aqui verêmos ainda uma prova do terno amor com que Deus nos ama. Um pae a quem o ferro do assassino roubou seu filho, objecto de sua ternura, começa por descarregar sua ira sobre o ferro homicida, quebrando-o e fazendo-o em pedaços. Assim também obrou Deus, castiga a serpente de que o demônio se servira em sua criminosa obra, infligindo-lhe uma pena perpetua; para nos dar a entender, com esta imagem sensível, quanto o demônio lhe é odioso; e pois que se enfureceu com tanto rigor, contra o que foi um instrumento, julgai que tratamento recebe o mesmo author do crime. Ora, como a maldição pronunciada contra o demônio, encarcerado longe de nós, em os infernos,- não se mostrava a nossos olhos por algum effeito visível, quiz Deus por este modo fazer-no-lo sentir pela punição da serpente, condemnada a rojar-se, e comer o pó da terra em todos os dias da sua vida.

Pronunciada a sentença do demonio, voltou-se o juiz para nossos primeiros paes. Mas, ó infinita misericordia ! ainda antes de lhes intimar a sentença, na mesma condemnação do tentador, fazia brilhar a seus olhos raios de viva esperança.

A principio, dizendo que poria inimizades entre a descendência da mulher e a descendência da serpente, dava-lhes a entender que não soffreriam a morte no mesmo dia do peccado, como elles deviam esperar. Se são condemnados, terão ainda tempo para se preparar e tornar a morte meritória. Depois accrescentando que a descendência da mulher esmagaria a cabeça da serpente, significava-lhes que os males de que eram victimas seriam reparados.

Com estas duas asserções, deviam esperar nossos primeiros pães, sem inquietação, a sentença d'um juiz que se mostrava tam clemente. Sua misericordia, em verdade, tinha vencido; mas era preciso dar alguma cousa á sua justiça.

O Senhor se voltou pois para a mulher ; menos culpada sim que o demônio, mas d' alguma sorte mais culpada que o homem, e lhe disse: « Multiplicarei as tribulações, e os teus partos; darás ao mundo teus filhos com agudas dôres. Serás sujeita ao homem, que exercera sobre ti o seu domínio. » Notai a clemencia divina mesmo no rigor do castigo. Os trabalhos do parto serão compensados bem depressa por consolações que os farão esquecer ; e a mulher, por sua terna e paciente resignação, recuperará uma parte da sua dignidade, e suavisará a dominação do homem. Restava ainda o pae do gênero humano, rei do mundo visível e bem amado do seu Deus. O Senhor lhe endereça a palavra e lhe diz: «Pois que preferiste às minhas ordens os conselhos de tua mulher, e assim comeste do fructo prohibido, a terra, que até aqui produzia de si mesma tudo o que precisavas, d'ora em diante será ingrata e maldita. Todos os dias de tua vida exigirá de ti uma trabalhosa cultura, para te produzir parcamente o pão que lhe tiveres confiado com o suor do rosto; cobrir-se-ha d'espinhos e abrolhos, e por entre seus pungentes estrepes haverás de colher as hervas, que serão parte do teu sustento. Tal será tua condição até o momento em que cansado de trabalhos e sujeito á morte, tornarás á terra d'onde sahiste; pois que tu és pó, e volverás ao pó'. »

Esta terrivel sentença fere o culpado em todo o seu ser; seu entendimento obscurecido, sua vontade inclinada ao mal; seu corpo flagellado de dôres, eis d'ora'vante o que attestará assim a grandeza de seu crime, como a severidade de Deus que o pune. Adão porém devia dar-se por muito feliz em ficar quite por tam pouco. Em meio d'estes males fica-lhe o maior do bens, a esperança; isto é, o tempo e a possibilidade de reparar sua desgraça. Nisto foi tratado bem melhor que os Anjos rebeldes ; com quanto ameaçado do mesmo castigo, pôde ainda reconquistar o Céu, o que não poderão jamais aquelles. Ora, que são as perdas todas, uma vez conservada a possibilidade d'alcançar o Céu?

O Senhor Deus, que soffre no coração paternal os mesmos golpes que sua insubornável justiça descarrega nos reos, se deu pressa em patentear a nossos primeiros pães um precioso signal de sua bondade ; pois nas mais pequenas cousas se mostra a ternura mais tocante. Para lhes poupar a vergonha de sua nudez, procurou-lhes elle mesmo pelles de feras de que lhes fez vestidos.

 Esta dolorosa scena do primeiro juizo de Deus teve por theatro o mesmo jardim onde se perpetrou o crime. A fim de mitigar a amargura de sua desgraça, veio ainda o Senhor consolar estas duas creaturas. A este tempo recebeu a primeira mulher de seu marido o nome d'Eva ou mãe de todos os viventes; nome inspirado que, realçando a dignidade da mulher, prophetisava a Santíssima Virgem, e reanimava a esperança no coração dos culpados. Restava agora executar a sentença. O Senhor disse, e nossos paes, sahiram tristes do Paraíso terrestre, para nunca mais entrarem n'elle. Um Cherubim, armado de fulminante gladio, se colloca na entrada, para defendêl-a ao primeiro homem e a todos os seus descendentes.

 Exilado d'este lugar de delicias, e reduzido á necessidade de cultivar a terra, Adão passou a chorar seu peccado e fazer penitencia a larga vida de novecentos e trinta annos. Foi tam humilde esta sua penitencia, tam constante e submissa, que em vista do mérito e pela graça do Libertador que lhe fôra promettido, recuperou a amizade de seu Deus, e morreu em seu amor. O pae do genero humano foi enterrado no monte Calvario. Quatro mil annos depois, a Cruz de Jesu-Christo foi plantada sobre a mesma sepultura d'Adão. Assim convinha que as primícias da nossa vida se collocassem onde o havia sido a origem da nossa morte.

 Vêde se não é admirável a relação que ha entre este lugar e a cruz de Jesu-Christo? Era muito justo que nosso Senhor, vindo resgatar o primeiro Adão, escolhesse para soffrer o lugar onde elle foi inhumado; e expiando seu peccado, assim também expiasse o de seus descendentes. Dissera Deus a Adão : tu és terra e tornarás á terra,  e é por isto mesmo que Jesn-Christo veio procurai-o no lugar onde fora executada a sentença; a fim de o livrar da maldição; e em vez d'aquellas palavras tu és da terra e tornarás á terra, dizer-lhe : levanta-te, tu que dormes sahe do tumulo.  D'est'arte, o nome de Calvário que significa chefe, une em a mesma prophecia o sepulchro d'Adão ao tumulo de Jesu-Christo ; e todos os sacrifícios e mistérios da Lei antiga aos da Lei nova. Eis-aqui uma das bellas harmonias com que deparamos a cada passo na ordem da graça como da natureza, e que denunciam uma sabedoria á qual nada escapa.



(1) Cum homo in primo statu secundum intellctum sic a Deo fuerit institu·
tus, quod nullum malnm in ipso incrat, et omnia inferiora superioribus subdebautur
nnllo modo decipi potuit, nec quoad ea quae scivit, nec quoad ea quae neseivit.
S. Tb. p. 1, <I· 94, aat. IV. 


retirado do Catecismo da Perseverança XVIa Lição por Mons. Jean-Joseph Gaume.



terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Via Sacra escrita por Dom Antônio de Castro Mayer

Via Sacra escrita por Dom Antônio de Castro Mayer, bispo de Campos, RJ (1949-1981)

ORAÇÃO PREPARATÓRIA
Meu Senhor Jesus Cristo, disponho-me a acompanhar-Vos no caminho que trilhastes do pretório de Pilatos ao Calvário, para Vos imolardes por minha salvação. Peço-Vos a graça de nos conceder grande dor e arrependimento de ter pecado, causando vossos atrozes sofrimentos, e que vosso Sangue preciosíssimo infunda em minha alma o propósito firme de nunca mais pecar.
ANTES DE CADA ESTAÇÃO
Dirigente: Nós Vos adoramos, Senhor, e Vos bendizemos;
Todos: Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.
No final da consideração, depois da Pai-nosso, Ave Maria, e Glória:
Todos: PESA-ME, SENHOR, de todo o meu coração ter ofendido a vossa infinita bondade, proponho com vossa graça a emenda, e espero que me perdoeis por vossa infinita misericórdia. Amém.
Dirigente: Compadecei-vos de nós, Senhor!
Todos: Compadecei-vos de nós!
Dirigente: Que as almas dos fiéis defuntos, por misericórdia de Deus, descansem em paz.
Todos: Amém.
OBS.: O FIEL DEVE FICAR:
DE PÉ: Durante o Cântico e a Leitura do Texto.
DE JOELHOS: Durante a leitura do texto da 12.ª Estação e demais orações.
1ª ESTAÇÃO
A morrer crucificado
Teu Jesus é condenado
Por teus crimes, pecador (bis)
(segue depois de cada canto)
 Pela Virgem Dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus! (bis)
Jesus é condenado à morte
Dirigente: Cedendo aos clamores dos judeus, Pilatos condenou Jesus à morte na Cruz. O que levou os judeus a pedirem a morte de Jesus Cristo foi sua infidelidade. Quiseram seguir uma religião do seu agrado, e não a Religião revelada pelo Filho de Deus humanado. Nisto imitaram a desobediência de Adão e a rejeição da vontade de Deus.Nós estamos na mesma miserável condição. Humilhemo-nos e peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça de sermos fiéis à Santíssima Vontade de seu Divino Filho.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória
2ª  ESTAÇÃO
Com a cruz é carregado
E do peso acabrunhado:
Vai morrer por teu amor.
Jesus com a Cruz às costas

Dirigente: Depois da vigília no Horto das Oliveiras e da atrocíssima flagelação, Jesus se submete ainda ao sacrifício de carregar a Cruz até aa Calvário. Jesus o fez para reparar os nossos pecados. Aprendamos que sem sacrifício e o habitual espírito de mortificação, nossa religião é vã, vazia, sem merecimento. Peçamos a Nossa Senhora a graça de aceitar com alegria as mortificações que nos impõe o cumprimento de nossos deveres de estado.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

3ª  ESTAÇÃO
Pela Cruz tão oprimido,
Cai Jesus desfalecido
Pela tua salvação.
Jesus cai pela primeira vez

Dirigente: Já esgotado pela insônia, fome e perda de sangue, Jesus sucumbe ao peso da cruz e cai por terra.Nos desígnios de Deus, esta queda é para descontar as ofensas de nossos pecados, e para nos alertar contra nossa presunção. Por nós mesmos só vamos de pecado em pecado, de queda em queda. Peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça da vigilância na oração e na fuga das ocasiões de pecado.

Pai-nosso, Ave Maria, Glória

4ª  ESTAÇÃO
De Maria lacrimosa,
Sua Mãe tão dolorosa,
Vê a imensa compaixão.
Jesus encontra-se com sua Mãe Santíssima

Dirigente: Na agonia, do Horto do Getsêmani e no processo infame a que foi submetido seu Divino Filho, esteve ausente Maria Santíssima. Quando, porém, vai Ele consumar o sacrifício da redenção do mundo. Ela se apresenta. É que ambos, Jesus e Maria, no decretos do Altíssimo, estão como identificado na missão redentora do homem. É como Mãe dos remidos que Maria coopera na obra da salvação. É a esta Mãe que recorremos para nos assegurar a fidelidade a seu Divino Filho, e meio da sociedade paganizada que nos envolve
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

5ª  ESTAÇÃO
Em extremo desmaiado,
Deve auxílio, tão cansado,
Receber do Cirineu.
Simão Cirineu ajuda Jesus a levar a Cruz

Dirigente: A breve trecho, no caminho do Calvário, convencem-se os verdugos do Salvador de que pela extrema debilidade, conseqüência das torturas a que tinha sido submetido, Jesus Cristo não estava em condições de carregar o seu patíbulo até ao cimo do monte. Forçaram Simão de Cirene a carregar a cruz do Salvador. Nossa salvação, por vontade de Deus, não se realiza sem nossa cooperação. Precisamos, a nosso modo, ajudar Jesus Cristo a carregar a Cruz. E o fazemos quando não nos conformamos com a maneira de proceder de uma sociedade que, na prática, se afastou da austeridade cristã. Que Nossa Senhora nos alcance esta graça.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

6ª  ESTAÇÃO
O seu rosto ensangüentado,
Por Verônica enxugado,
Eis no pano apareceu.
Verônica enxuga a face de Jesus
Dirigente: Do meio daquela multidão sádica que formava o séquito nefando do Salvador no caminho do Calvário, destaca-se uma mulher forte que, arrostando a arrogância dos soldados, aproxima-se de Jesus e com uma toalha Lhe limpa o sagrado rosto desfigurado pelo sangue da coroa de espinhos pelos escarros dos sicários do Sinédrio e pelas bofetadas da soldadesca bestial. Admiremos envergonhados a fortaleza desta mulher e peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça de nunca trairmos por respeito humano nossa religião, com nosso procedimento.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

7ª  ESTAÇÃO
Outra vez desfalecido,
Pelas dores abatido,
Cai em terra o Salvador.
Jesus cai pela segunda vez

Dirigente: Não obstante o auxílio do Cirineu, a enorme fraqueza do Salvador fê-lo cair uma segunda vez no caminho do Calvário. Esta segunda queda do Salvador lembra nossas repetidas culpas e, de outro lado, da infinita misericórdia de Deus que só espera nosso arrependimento para nos soerguer. Que a fraqueza do Redentor que o prostrou por terra, seja a nossa fortaleza, e não nos permita aceitar um meio-catolicismo ao sabor da sensualidade feito mais de quedas do que de virtudes.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

8ª  ESTAÇÃO
Das matronas piedosas,
De Sião filhas chorosas
É Jesus consolador.
Jesus consola as filhas de Jerusalém

Dirigente: Ao ver os tormentos a que os sicários do Sinédrio submetiam Jesus no caminho do Calvário, umas piedosas mulheres de Jerusalém não contiveram as lágrimas e expandiram em altos prantos suas consternação. Jesus, agradecido, exortou-as a que tornassem profícuos seus prantos, chorando mais por elas e seus filhos, do que por Ele.
O que Jesus deseja é a nossa salvação. Por isso ferem-Lhe mais nossos pecados do que O afligem as chagas de seu corpo ou Lhe pesa a coroa de espinhos. “Chorai por vós e por vossos filhos” – nos repete o Senhor, quando nos vê mais preocupados com nossas moléstias e os bens terrenos do que com os nossos pecados. Abra-nos os olhos a virgem Santíssima para purificar nosso catolicismo.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

9ª  ESTAÇÃO
Cai terceira vez prostrado,
Pelo peso redobrado
Dos pecados e da cruz.
Jesus cai pela terceira vez

Dirigente: Novamente a extrema debilidade prostra a Jesus por terra. É mais uma humilhação que se junta a todas, as outras igualmente atrozes a que se sujeitou o Salvador na sua Paixão.Fê-lo por nosso amor, nossa salvação, mas também para que compreendêssemos que, sem a aceitação amorosa das humilhações que Nosso Senhor nos envia, não participamos da Redenção, porquanto não nos assemelhamos a Jesus Cristo. Que a Virgem Santíssima, Mãe das Dores, nos compenetre desta verdade.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

10ª  ESTAÇÃO
Dos vestidos despojado,
Por verdugos maltratado
Eu Vos vejo, meu Jesus.
Jesus é despojado de suas vestes

Dirigente: Chegado ao Calvário, foi , Jesus despudoradamente despido de suas vestes pela soldadesca imunda. Jesus, o cândido lírio da inocência, mais branco, mais puro do que o mais puro arminho e que a mais branca neve, é apresentado nu aos olhos da multidão, tendo apenas para velar seu corpo sagrado a túnica do seu sangue sacrossanto. Foi certamente a mais sensível das humilhações a que nossos pecados submeteram o Filho de Deus. No entanto, é a humilhação a que mesmo as pessoas que se dizem cristãs e tementes a Deus, continuam a submeter o Divino Salvador. A Virgem Mãe, pureza alvinitente, nos alcance o apego ao recato, à modéstia, ao comedimento, que são as condições indispensáveis para a prática da virtude.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

11ª  ESTAÇÃO
Sois por mim à Cruz pregado,
Insultado, blasfemado
Com cegueira e com furor.
Jesus é pregado na Cruz

Dirigente: Estirado Jesus sobre a Cruz, esticaram-Lhe violentamente os membros e os cravaram no madeiro com grossos e pontiagudos cravos. O suplício da Cruz era reservado aos escravos, com os quais era legítimo não ter a menor comiseração. Além disso, Jesus Cristo foi crucificado entre dois ladrões, como a indicar – diz S. Boaventura – que era o pior deles. Tudo concorria para levar aos extremos os sofrimentos físicos e morais do Divino Salvador. Cravado na Cruz após a flagelação e coroação de espinhos, não é possível imaginar sofrimentos mais atrozes. Considerado malfeitor vil e abjeto como os crucificados, é impossível humilhação maior. Pois esses sofrimentos, essas humilhações foram o preço de nossos pecados. Foi assim que Ele nos libertou da escravidão do demônio da morte eterna, e nos mereceu o céu no seio de Deus. Com o coração agradecido, aprendamos a apreciar as humilhações e os sofrimentos com que Deus purifica a nossa alma, especialmente quando exigidos pelo cumprimento dos deveres de nosso estado.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

12ª  ESTAÇÃO
Por meus crimes padecestes.
Meus Jesus, por mim morrestes.
Como é grande a minha dor!
Jesus morre na Cruz

Dirigente: Depois de três horas de tormentosa agonia, Jesus inclinou a cabeça e morreu. Consumou-se o sacrifício. O véu do templo rasgou-se de alto a baixo anunciando a abolição da lei mosaica substituída pela lei de Cristo que a aperfeiçoa e supera, e atinge todos os homens. Exclama São Paulo: “Estou pregado na cruz com Cristo.” É este também o ideal da vida do fiel: unir-se a Jesus Crucificado. Ou seja, tomar o caminho da renúncia de si mesmo na obediência aos legítimos superiores, nas humilhações, no espírito de mortificação, nos sacrifícios exigidos para o cumprimento dos próprios deveres. São as disposições da alma que pedimos à Virgem Santíssima presente ao pé da Cruz.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

13ª  ESTAÇÃO
Do madeiro Vos tiraram
E à Mãe Vos entregaram,
Com que dor e compaixão.
Jesus é descido da Cruz

Dirigente: Nicodemos e José de Arimatéia obtiveram de Pilatos o corpo de Jesus. Cuidadosamente O retiraram da Cruz e O entregaram à sua Mãe, Maria Santíssima, a quem Ele pertencia por direito materno. A Virgem Mãe contemplou em silêncio a retidão profunda daquele rosto sempre senhor de si mesmo, embora desfigurado pelos atrozes sofrimentos e morte violenta. Contemplou, adorou, e O apresentou ao Padre Eterno como propiciação pelos nossos pecados, nossos de seus filhos adotivos. Habituemo-nos a viver com Maria. Ela nos levará a Jesus. Ela nos dará sua graça e seu vigor para triunfarmos da multidão dos atrativos para o mal que emergem de uma sociedade imersa no egoísmo e na sensualidade.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

14ª  ESTAÇÃO
No sepulcro Vos deixaram,
Sepultado Vos choraram,
Magoado o coração.
Jesus é depositado no sepulcro
Dirigente: Atendida a exigência de seu direito materno, Maria Santíssima acompanho o enterro de Seu Divino Filho organizado por Nicodemos e José de Arimatéia. Foi Ele deposto num sepulcro novo, aberto na rocha, no qual ninguém tinha ainda sido sepultado.Sobre todos desceu um ambiente de paz que sepultou o alarido da multidão infrene, quando pedia a morte do Salvador. A paz do Senhor é a paz de consciência que repercute no homem todo, dando-lhe a sensação de um profundo bem-estar. Esta paz encontramo-la quando desalojamos de nosso coração os sentimentos egoístas e sensuais para enche-lo de caridade de Nosso Senhor Jesus Cristo. Virtude que obteremos pela intercessão de Maria Santíssima.
Pai-nosso, Ave Maria, Glória

Meu Jesus, por vossos passos,
Recebei-me em vossos braços,
A mim, pobre pecador.
ORAÇÃO FINAL À VIRGEM DOLOROSA
Ó Maria, minha Mãe, compartilho conVosco as dores e sofrimentos que suportastes no corpo e na alma, ao acompanhardes Vosso Divino Filho no caminho do Calvário, e ao assistirdes à sua dolorosa e humilhante morte na Cruz.
Peço-Vos que me guardeis sob vossa proteção para que não torne a pecar, renovando a Paixão de Vosso Divino Filho.
(Padre-Nosso e Ave-Maria, na intenção do Sumo Pontífice para se lucrarem as indulgências).
Pela Virgem Dolorosa,
Vossa Mãe tão piedosa,
Perdoai-me, meu Jesus!














tomada do blog       http://www.missatridentinaetradicaocatolica.com/p/via-sacra.html