Realizado no dia 19/03/2016 no Mosteiro da Santa Cruz em Nova Friburgo - RJ/Brasil.
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quarta-feira, 30 de março de 2016
domingo, 19 de abril de 2015
Orgulho ou Proconceito
Orgulho ou Preconceito?
Resposta do Mosteiro da Santa Cruz à Revista VEJA
QUARTA-FEIRA, 15 DE ABRIL DE 2015
POR DOM TOMÁS DE AQUINO
A revista VEJA publicou uma matéria sobre as controvertidas cerimônias realizadas no mosteiro da Santa Cruz (Nova Friburgo – RJ) entre as quais a de maior importância foi a sagração episcopal de Mgr Jean-Michel Faure. Esta sagração feita por Mgr Richard Williamson foi seguida da ordenação sacerdotal do Irmão André Zelaya de León, da Guatemala, monge de nosso mosteiro há mais de vinte anos. Ambas cerimônias foram apresentadas como atos de rebelião. Aliás, o título do artigo é: “Rebelião no altar”, artigo que se termina da seguinte maneira: “O francês Faure, cheio de orgulho, tem até apelido para o racha: La Resistance”. Orgulho mesmo ou preconceito da revista? Eis a questão.
Orgulho se pode tomar em dois sentidos. Ou será o senso da dignidade de sua condição como quando um filho da Santa Igreja se declara, com justo orgulho, católico, apostólico, romano. Ou será um vício, um pecado; pecado de rebelião contra Deus. O pecado de Lúcifer.
Talvez o autor do artigo quisesse deixar ao leitor a escolha, já que o jornalista da VEJA foi bastante cordial conosco, embora o tom geral do artigo indique de preferência o sentido de revolta. Seja como for, a pergunta permanece: orgulho de Mgr Faure, de Mgr Williamson e dos monges de Santa Cruz ou preconceito contra eles? A questão continua não respondida.
Retrocedamos no tempo, pois assim fazendo encontraremos o fio de Ariane que nos tirará do labirinto em que a crise atual da Igreja nos lançou, e nos fornecerá o necessário para responder à pergunta já feita. Retrocedamos até a Reforma protestante e ao declínio do Cristianismo na Europa e no mundo. Declínio contra o qual lutaram vitoriosamente, mas só por um tempo, o Concílio de Trento e os grandes santos da Contra-Reforma. Duas forças se chocaram então e se chocam até hoje. Uma nova religião que põe o homem no centro da civilização e combate a Igreja Católica antes de combater Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa para terminar negando a existência de Deus, com o marxismo, e mesmo corrompendo a eterna noção de Verdade com o Modernismo, condenado por São Pio X.
Dois mundos, dois amores; o amor de Deus levado até o esquecimento de si, e o amor de si mesmo levado até a negação de Deus. Dois mundos, duas forças, duas correntes históricas que se opõem há mais de cinco séculos. Qual das duas é movida pelo orgulho? Eis mais do que uma pista para encontrarmos a resposta à nossa pergunta inicial.
Aprofundemos pois a pista já indicada e entremos na atualidade, ou melhor, na história recente da Igreja. Falemos de Vaticano II. Os Papas do século XIX e do século XX até a morte de Pio XII haviam condenado o Liberalismo Católico dos que queriam a união da Igreja com os princípios da Revolução Francesa. Não só o Liberalismo mas também o Modernismo, o Neomodernismo, o Progressismo e demais erros modernos haviam sido devidamente condenados. A Igreja Católica dizia e dirá sempre “não” a estes erros.
Porém o velho sonho dos mais cruéis inimigos da Igreja realizar-se-ia. Um Concílio consagraria os teólogos modernistas, liberais e progressistas. Este Concílio foi o Concílio Vaticano II. Mas dois Bispos permaneceram fiéis e denunciaram este Concílio. Mas só dois? Não é pouco demais? Para um mundo que preza mais a quantidade do que a Verdade, dois é igual a nada. Mas em questão de doutrina não é o número que conta, e as doutrinas apregoadas pelo Vaticano II já haviam sido condenadas por Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII para citar apenas alguns da longa série de Papas que dista de São Pedro à Pio XII, os quais guardaram o depósito da Fé que lhes havia sido confiado por Deus Ele mesmo.
Porém o velho sonho dos mais cruéis inimigos da Igreja realizar-se-ia. Um Concílio consagraria os teólogos modernistas, liberais e progressistas. Este Concílio foi o Concílio Vaticano II. Mas dois Bispos permaneceram fiéis e denunciaram este Concílio. Mas só dois? Não é pouco demais? Para um mundo que preza mais a quantidade do que a Verdade, dois é igual a nada. Mas em questão de doutrina não é o número que conta, e as doutrinas apregoadas pelo Vaticano II já haviam sido condenadas por Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII para citar apenas alguns da longa série de Papas que dista de São Pedro à Pio XII, os quais guardaram o depósito da Fé que lhes havia sido confiado por Deus Ele mesmo.
Mas o que isso tem que ver com a sagração do 19 de março de 2015 em Nova Friburgo? Isto tem tudo que ver com essa sagração, já que Mgr Williamson foi ele mesmo sagrado por estes dois bispos fiéis à Tradição bimilenar da Igreja. Estes dois bispos são Mgr Marcel Lefebvre e Mgr Antônio de Castro Mayer.
Contudo, eles sagraram Mgr Williamson, assim como Mgr Fellay, Mgr Tissier e Mgr de Galarreta, contra a vontade de João Paulo II em junho de 1988? Sim, é verdade. Logo eles são uns rebeldes e uns orgulhosos? Não. A verdade não se deixa encontrar tão facilmente assim. Desobedecer ao Papa pode ser, em casos extremos, um ato de virtude, enquanto que obedecê-lo pode ser, em casos extremos, um pecado. “Quem faz o mal porque lhe ordenaram, não faz ato de obediência, mas de rebelião”, diz São Bernardo.
A rebelião no altar não se deu em Nova Friburgo, no dia 19 de março. Se aprofundarmos a questão veremos que a rebelião no altar se deu não em Friburgo, mas em Roma desde o Concílio até hoje.
Quem duvidar do que afirmamos, que estude os livros que falam da crise atual e lá verão que o próprio Cardeal Ratzinger, futuro Bento XVI, afirma que o Vaticano II foi um “contra-Syllabus”, ou seja, que ele vai o ensinamento do Magistério da Igreja, contra uma doutrina já definida pelos Papas anteriores.
Não! Mgr Faure não falou com orgulho, ou melhor, falou com justo orgulho de defender este Magistério infalível da Igreja contra os erros de Vaticano II. Mas como um Concílio pode ensinar erros? Eis a grande pergunta. Leiam pois as obras de Mgr Marcel Lefebvre. Estudem, aprofundem-se na Fé, pois o mal é grande e a abominação da desolação foi posta no lugar santo. Portanto, a revolta no altar não está no mosteiro da Santa Cruz. A revolta no altar está – é triste repeti-lo – no Vaticano.
Mas quem nos crerá? Orgulho nosso ou preconceito da VEJA? Só estudando. Só rezando. Sem oração e estudo ninguém poderá encontrar a resposta. Ela está ao alcance de quem a procura, mas antes de tudo é preciso procurá-la. O que já dissemos é o suficiente por ora. Agora, caro leitor, lhe cabe a sua parte, caso deseje tirar a limpo se é orgulho nosso ou preconceito da VEJA chamar-nos de rebeldes. Bom trabalho.
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domingo, 5 de abril de 2015
Mons. Lefebvre fala sobre a justificação do novo bispo
Observações com relação ao Novo Bispo Para
Suceder Sua Excelência Dom Antônio de Castro Mayer: Por Mons. Lefebvre
A precisão parece-me muito importante na solução dos
problemas da jurisdição do novo bispo com relação aos seus sacerdotes e fiéis.
Em primeiro lugar, deve notar-se que a sua situação não é exatamente
a mesma que a de Dom Antônio de Castro Mayer. Este último é bispo emérito de
Campos, depois de ter sido seu bispo residencial. Por isso pode-se concluir que ele se manteve (se
não um poder jurídico) pelo menos, um poder moral, que, por causa das atuais
circunstâncias, poderia justificar uma ação pastoral em relação aos seus
ex-sacerdotes e fiéis.
Este não é o caso com o novo bispo, que não tem outra base para a jurisdição do que a que vem das solicitações dos sacerdotes e dos fiéis para cuidar de suas almas e as de seus filhos, e que lhe pediram para aceitar o episcopado, de modo a dar-lhes verdadeiros sacerdotes católicos e pela graça do sacramento da Confirmação. Assim, é evidente que a jurisdição do novo bispo não é territorial, mas pessoal, como se torna também a jurisdição dos sacerdotes.
Enquanto que os fieis pedem os sacramentos e a doutrina da
fé dos sacerdotes e o bispo, os sacerdotes e o bispo têm o dever de zelar pela
boa recepção e bom uso da doutrina e da graça do Sacrifício da Missa e dos
sacramentos. Os fiéis não podem pedir os sacramentos e ao mesmo tempo
recusar-se a autoridade vigilante dos padres e do bispo.
A fim de zelar pela boa ordem do apostolado e sua eficácia,
a organização da União Sacerdotal do Santo Cura de Ars parece muito apropriado
e deve reunir obrigatoriamente todos os sacerdotes que desejam continuar o
apostolado tradicional.
Parece desejável que o bispo, já sendo sagrado, ser nomeado
presidente do concilio presbiteral para a vida, a fim de que ele possa segurar
uma autoridade, que é indispensável para a nomeação de sacerdotes, para novas
fundações, para as atividades inter-paroquiais, para as sociedades de seminário
e religiosas.
Porque a autoridade jurisdicional do bispo não vem de uma
nomeação romana, mas a partir da necessidade da salvação das almas, ele terá de
exercê-lo com uma iguaria especial e tendo em conta especial de seu Concilio
Presbiteral.
Além disso, os fiéis e sacerdotes devem reconhecer a graça
de ter um pastor, sucessor dos Apóstolos, e guardião da Tradição do depósito da
Fé, do sacrifício eucarístico, do sacerdócio católico e da graça dos
Sacramentos, e eles devem, portanto, facilitar o exercício de sua autoridade
por uma obediência generosa.
Já que a jurisdição do bispo não é territorial, mas pessoal
e tem como fonte o dever dos fiéis para salvar suas almas, se um grupo de fiéis
na diocese chama o bispo de prover um padre, este grupo dá por isso mesmo, a
autoridade do bispo para vigiar a transmissão da fé e da graça neste grupo, por
intermédio do sacerdote que ele enviar.
Por isso me parece que será resolvido em uma ordem, que
esteja em conformidade com o espírito da Igreja, os delicados problemas que vêm
de uma sagração episcopal sem o mandato explícito de Roma, mas com o mandato
implícito da Igreja Romana, Guardião da Fé.
O novo bispo continua a ser o elo ontológico com a Igreja,
fiel ao seu Divino Esposo, Nosso Senhor Jesus Cristo.
Marcel Lefebvre

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