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quinta-feira, 23 de abril de 2015

A Sagração Episcopal sem Mandato Pontifício

Tradição Católica excomungada?


Foram Dom Antônio de Castro Mayer e Mons. Marcel Lefebvre excomungados por sagrar bispos em 1988 sem a aprovação de Roma?  Seria essa situação a mesma de Dom Williamson e Dom Faure?


Os culpadores de "cisma" e de ser "excomungados" sempre citam o Código do Direito Canônico cânon 1382 por abuso de poderes episcopais e por sagrar bispos sem um mandato pontifical, e que esta excomunhão seria automaticamente (latae sentenciae). Segunda essas pessoas, com citar um cânon só, o Dom Antônio de Castro Mayer e Mons. Lefebvre morreram excomungados e os bispos atuais que continuam na postura destes bispos, Dom Williamson e Dom Faure, também são excomungados latae sentenciae (ipso facto)... também automaticamente. A excomunhão destes bispos não foi valida e não existe a possibilidade de ter  dúvida sobre isso segunda o Direito Canônico.  

Por que é importante defender estes bispos?

Vale a pena considerar que antes destes bispos, não tinha bispos no mundo celebrando a Missa Tridentina com a permissão de Roma nem defendendo a Santa Tradição da Igreja.  Muitas vezes, os defensores da Missa tradicional com permissão das dioceses esquecem isso e até começam atacar os bispos com acusações e calunias de estar fora da Igreja.  Se não fosse pelas ações deste grandes bispos, não teria Missa Tridentina hoje em dia nem existiria o Motu Proprio de Bento XVI porque foi promulgado para aliviar a situação dos bispos da FSSPX sagrados por Dom Antônio e Mons. Lefebvre, não existiria a Administração Apostólica (só leia a historia deles!), não teria a Fraternidade São Pedro quem começou como sacerdotes ordenados sem permissão de Roma e receberem um acordo com as sagrações de 1988, e não existiria o grupo Ecclesia Dei (todos os padres que celebram a Missa Tridentina)  tudo sendo um resultado da obra de Dom Antônio e Mons. Lefebvre.  Quem entende isso muito bem está bem agradecido pelas ações corajosas destes bispos de qualquer grupo que seja.  Quem lê sobre o assunto já está sabendo disso, e tudo isso é importante como vou mostrar. 


E por que não é válida a excomunhão?
Agora, a excomunhão do que os culpadores afirmam por abuso de poderes episcopais (cânon 1382), não foi incorrida, e não deixa a existência de dúvida, porque:


1) Uma pessoa que viola uma lei em caso de necessidade * não está sujeita a uma penalidade (1983 Código do Direito Canônico, cânon 1323, § 4º), mesmo que não existe um estado de necessidade: [1]

  • Se um pessoa não está errada sobre a existência do caso de necessidade, ela não iria incorrer a pena (cânon 1323, 70),
  • e se uma pessoa culposamente achasse que haveria um estado de necessidade, ela ainda não incorreria em penalidades automáticas [2] (cânon 1324, § 3º; § 1º, 80).
2)   Uma pena nunca é efetuada sem cometer um pecado mortal subjetivamente (cânones 1321 § 1, 1323 70). Agora, o Arcebispo Lefebvre e Dom Antônio e Dom Williamson e Dom Faure  deixarem muito claro que tinham o dever da consciência de fazer o que poderiam fazer para dar continuidade ao sacerdócio católico e que eles estavam obedecendo a Deus com realizar essas sagrações (Cf. Sermão 30 de junho de 1988 e Arcebispo Lefebvre e Sermão de Mons. Williamson de 19 de março). Por isso, mesmo que eles estivessem errados, não haveria nenhum pecado subjetivamente. 

3)  Ainda mais importante, a lei positiva está ao serviço da lei natural e eterna e direito eclesiástico está ao serviço da lei divina. Nenhum "autoridade", pode forçar um bispo a se comprometer com o seu ensinamento da fé católica ou administração dos sacramentos católicos.  Nenhuma "lei", pode forçá-lo a cooperar na destruição da Igreja. Com Roma
Dom Faure na sagração episcopal de 2015, No Brasil.
agindo contra a Tradição Católica, o arcebispo Lefebvre, Dom Antônio, Dom Williamson e Dom Faure  tiveram que fazer o que podiam fazer com poderes episcopais dados por Deus para garantir a preservação da Tradição Católica. Aquilo eram seus deveres como bispos.


A lei existe para a preservação da Igreja Católica.  O concepto da lei segunda o Santo Tomás Aquino é o que promove o bem comum.  O que não promove o bem comum não pode ser uma lei legitima.  Deus não vai permitir que a Igreja esteja proibida de continuar por causa de um simples cânon do Direito Canônico e por isso, grandes advogados do Direito Canônico como Pe. Hesse (ordenado na Basílica de São Pedro e assistente de Cardeal Stickler) tem apoiado a Fraternidade São Pio X publicamente.  Além disso que se encontra no Direito Canônico, a Summa Teologica, e vários tratos sobre a Teologia Moral, também vem da Santa Tradição até as escrituras de Santo Agostinho de Hipona: "Necessitas non habet legem"  (A necessidade não tem lei) Aforismo de Santo Agostinho que indica a cessação da lei diante da necessidade.  



Sagrado sem permissão de Roma, Dom Rangel.
Para Resumir:

a) Em relação a um verdadeiro estado de necessidade, nenhuma penalidade atinge os bispos de uma sagração episcopal sem mandato pontifical nas circunstâncias descritas (cânon 1324, 4).

b) Mesmo que o estado de necessidade não existir objetivamente, os bispos não estariam sujeitos à punição porque considerarem subjetivamente, sem culpa da sua parte, que este estado de necessidade existiu (cânon 1323, 7).

c) Mesmo que a suposição da existência de um estado de necessidade era culpado, não haveria, no entanto, o tae pena sententiae e de forma alguma excomunhão (cânon 1324 § 1,8ª e § 3).

Conclusão

A declaração ouvida muitas vezes, que a sagração de um ou vários bispos sem mandato papal implicaria automaticamente a excomunhão e, consequentemente, levaria a cisma é falsa. Nos termos da lei, nestes casos em particular, não pode haver a excomunhão, nem por latae sententiae nem por sentencia judicial. (consagración episcopal)


Dom Antônio nas sagrações de 1988, Ecône.


Dom Antônio De Castro Mayer

No seu leito de morte, Dom Antônio de Castro Mayer se recusou a assinar a chamada "fórmula da reconciliação" (o que incluiu uma admissão de que a excomunhão foi realmente efetuada e que nenhuma situação de necessidade existia em 1988) proposta por delegados do Vaticano no seu leito de morte. Ele morreu de insuficiência respiratória em Campos, 25 de Abril de 1991.  Segunda todos que aceitam como válida a excomunhão dele, ele morreu fora da Igreja Católica onde não há salvação, porém isso não é a verdade como temos demostrado!  Que Dom Antônio seja nossa inspiração para continuar na luta contra o modernismo na Igreja!





* O estado de necessidade, como é explicado por juristas, é um estado em que os bens necessários para a vida natural ou sobrenatural estão ameaçados tanto que uma pessoa é moralmente obrigada a quebrar a lei, a fim de salvá-los. "(Is Tradition Excommunicated? P 26).       


    

segunda-feira, 2 de março de 2015

Via Sacra da CNBB 2015

A VIA NON SACRA da CNBB


Este ano como parte da Campanha da Fraternidade (Igualdade e Liberdade) como propaganda para a Teologia de Libertação e doutrina maçônica da CNBB, foi mandado às paróquias uma 'Via Sacra' versão correspondendo à Campanha da Fraternidade. Gostaria fazer uma breve comparação da Via Sacra de blasfêmias da CNBB com a Via Sacra do grande bispo de Campos, Dom Antônio de Castro. Me parece interessante que em muitos aspectos são opostas e contrárias. 
O Leão de Campos

No começo recebemos uma apresentação do Bispo Conciliar Auxiliar de Brasília, Leonardo Ulrich Steiner. Começa tentando explicar o que é Quaresma sem fazer nenhuma referência ao pecado, penitência, alma, salvação, inferno, e Julgamento Final. Brevemente fala sobre jejum como um jeito de ser "reintegrados" e da um pouco de ênfases à ressurreição. Nas seguintes páginas da apresentação se enfoca na Igreja na sociedade até ambiguamente definindo a Igreja e os cristãos assim: "A Igreja, as comunidades de fé, os cristãos, são ativos na sociedade. Eles, pelo diálogo e pela caridade, cuidam das pessoas que são excluídas da sociedade." Eu me pergunto, depois de ler esta definição, quem são aquelas pessoas "excluídas da sociedade". Ahh mas devemos meditar nos coitados dos oprimidos que são os gays querendo casar-se quer dizer? Será que se refere aos drogados que andam em todos os bairros de Brasil fumando maconha abertamente em frente da sociedade? Se ele for um pouco mais específico, tal vez eu saberia quem são eles "excluídos da sociedade" para andar logo e cuidar deles. Tal vez nem preciso mencionar que não foi possível para ele dar esta apresentação sem citar 3 vezes o que ele disse é o "DOCUMENTO CONCILIAR. Lumen Gentium" é uma vez a alegria do Evangelho que é a Exortação herética Evangelii Guadium de Francisco. Notavelmente, é um lema recorrente de ALEGRIA e ESPERANÇA e ALEGRIA nesta "Via Sacra" que a CNBB está empurrando no pouco que fica católico das dioceses. Como vão ver, estes modernistas entendem muito bem a lei de oração que disse "lex orandi, lex credendi est", cremos como rezamos e não ao contrário. O que rezamos e professamos é o que cremos. Assim estão sufocando a fé do Brasil. Assim como tudo é uma celebração e festa para os modernistas, decidiram dar a esta "Via Sacra" o título "Celebração Da Via Sacra" (página 7). Quem celebraram a "Via Sacra" do Senhor foram os que o crucificaram. Ingênuo este nome. O início começa lembrando ao Senhor que a Igreja é a "servidora da humanidade" em vez do que rezamos todos os dias na Angelus: ecce ancilla Domini! As palavras doces da Santíssima Virgem, "eis aqui a serva do Senhor". Porém a igreja conciliar é a serva da humanidade, e em outros términos a escrava do governo mundial como também seus membros serão. Continua rogando ao Senhor pelo fruto de justiça em nossa sociedade, e que nos tornamos construtores da sociedade fraterna e começa o Hino CF 2015 com uma primeira citação de Gaudium et Spes (alegria e esperança n. 2). Complementarem o hino com o refrão em linha com a TL e Francisco: "Quero uma Igreja solidária, servidora e missionária, que anuncia e saiba ouvir. A lutar por dignidade, Por justiça e igualdade, pois "Eu vim para servir" (Eu quero) Que parte da Via Sacra se trata com o que eu quero? A lutar por dignidade. A dignidade humana tem toda ênfases neste canto. Nada que ver com Deus. Igualdade, nos ensina que precisamos lutar por igualdade. Acho que nem preciso explicar que tanta besteira fizeram com este canto. Termina o refrão com o lema da CF "Eu vim para servir", servir a humanidade é o sentido das palavras e nem escondem esse fato. Melhor damos uma olhadinha ao começo da Via Sacra escrita por Dom Antônio, uma Via Sacra de verdade.
Campanha da Fraternidade, busca de igualdade.

"ORAÇÃO PREPARATÓRIA Meu Senhor Jesus Cristo, disponho-me a acompanhar-Vos no caminho que trilhastes do pretório de Pilatos ao Calvário, para Vos imolardes por minha salvação. Peço-Vos a graça de me conceder grande dor e arrependimento de ter pecado, causando vossos atrozes sofrimentos, e que vosso Sangue preciosíssimo infunda em minha alma o propósito firme de nunca mais pecar." 

O resto do canto da versão da "Via Sacra" da Campanha da Fraternidade só fala mais besteira: 2. "Os grandes oprimem, exploram o povo, mas entre vocês bem diverso há de ser". A luta entre as classes. Marxismo! Uma frase que explica bem o objetivo desta "Via Sacra", pensar só no povo e promover a diversidade como o único mandamento. Ser diverso nós dizem. Nada sobre nossos pecados! Qualquer que tinha feito um curso de sociologia numa universidade secular sabe que a "diversidade" se refere aos gays e travestis. Em vez de tentar consolar Deus para nossos pecados na Via Sacra, a CNBB escreveu uma versão para provocar o povo a "servir a humanidade" e "ser diverso". Diabólico! Só continua o canto falando sobre "as chagas do ódio e da intolerância" e que "eu quero" uma Igreja "de portas abertas, sem medo de amar!" Nem uma só palavra sobre a Via Crucis do Senhor levando Sua cruz. Nem uma só palavra sobre a paixão de Nosso Senhor. Com apenas 2 frases, Dom Antonio conseguiu colocar-nos mentalmente no caminho da Cruz e ser arrependidos por nossos pecados, e comparando com o canto de início de 2 páginas da versão da CNBB exatamente o contrário. 

1a Estação 
Jesus é preso e condenado à morte. 
Depois de ler sobre a agonia no horto com ênfases no amor fraterna o dirigente pede que compreendamos "se constrói a fraternidade e a paz" e que nós dê um coração sensível convocando todos a pedir do Pai que sejamos uma "Igreja viva, testemunha da fraternidade". 

 A Via Sacra de Dom Antônio começa sem inovação com Jesus na presença de Pilatos: "Cedendo aos clamores dos judeus, Pilatos condenou Jesus à morte na Cruz. O que levou os judeus a pedirem a morte de Jesus Cristo foi sua infidelidade. Quiseram seguir uma religião do seu agrado, e não a Religião revelada pelo Filho de Deus humanado. Nisto imitaram a desobediência de Adão e a rejeição da vontade de Deus. Nós estamos na mesma miserável condição. Humilhemo-nos e peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça de sermos fiéis à Santíssima Vontade de seu Divino Filho." 

Com toda a doutrina Católica, Dom Antônio explica como os Judeus rejeitarem nosso Senhor porque queriam seguir uma religião de seu agrado. Nós lembra dos clamores da CNBB repetindo que "eu quero uma Igreja" assim ao seu gosto descontentes com a Tradição católica! Dom Antônio nos lembra do pecado original e toda nossa condição miserável em vez de "dignidade" e nós leva a humilharmos. 

Em vez de rezar por fraternidade, igualdade, e liberdade, como faz a "Via Sacra" da CNBB, a Via Sacra de Dom Antônio harmoniosamente termina cada vez com um ato de contrição e uma oração por os fiéis defuntos. 

2 Estação 
Jesus Carrega A Cruz 
Depois de ler brevemente sobre Pilatos e o povo pedindo que Jesus seja crucificado e Pilatos dizendo que está inocente desse sangue, leitor 2 fala que: "Uma sociedade, na qual milhões de pessoas são excluídas, impossibilitadas dos bens necessários à vida; uma sociedade que produz a cada dia novos pobres e miseráveis e mata os inocentes, se torna também responsável pelo seu sangue." Esta Via Sacra está fazendo a paróquia meditar no povo mesmo, eliminando tudo que tem que ver com a religião católica. Depois o dirigente pede que ninguém esteja excluído da sociedade porque todos temos "igual dignidade". Essa "dignidade" mesma que pediu que seu sangue caísse sobre nós. Esta "Via Sacra" é sobre nós! Coitado de nós! E todos terminam rezando pelas pessoas que "carregam a cruz da desigualdade". Rezamos contemplando a falta de emprego nessa Via Sacra, porém apenas está começando. 

Dom Antônio nós recorda que Jesus leva a Cruz a Ombros e que: "Depois da vigília no Horto das Oliveiras e da atrocíssima flagelação, Jesus se submete ainda ao sacrifício de carregar a Cruz até o Calvário. Jesus o fez para reparar os nossos pecados. Aprendamos que sem sacrifício e o habitual espírito de mortificação, nossa religião é vã, vazia, sem merecimento. Peçamos a Nossa Senhora a graça de aceitar com alegria as mortificações que nos impõem o cumprimento de nossos deveres de estado." 

3 Estação 
Jesus Cai Pela Primeira Vez 
Depois de ler duas frase sobre a primeira queda de Jesus, leitor 2 começa de novo com as bobeiras de "sem considerar o próximo...não haverá paz social, nem respeito verdadeiro pelos autênticos valores humanos." Cada vez mais me parece que a CNBB está obsessiva com "valores humanos". O dirigente continua, "prossigamos na busca por dignidade, por justiça, e por igualdade." A Via Sacra da CNBB é tudo menos uma busca de Deus, é uma busca por nós e o que queremos, é uma busca por o coitado de nós e paz social, humanidade e tudo que ver com a adoração de homen no lugar de Deus. Todos estão exigidos a rezar que "sejamos uma Igreja samaritana aos desamparados e marginalizados da sociedade." Coitado de nós! 

Agora uma dose de sanidade de Dom Antônio: "Já esgotado pela insônia, fome e perda de sangue, Jesus sucumbe ao peso da cruz e cai por terra. Nos desígnios de Deus, esta queda é para descontar as ofensas de nossos pecados, e para nos alertar contra nossa presunção. Por nós mesmos só vamos de pecado em pecado, de queda em queda. Peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça da vigilância na oração e da fuga das ocasiões de pecado." 

E aqui temos a "Via Sacra" da CNBB reclamando sobre a falta de respeito humano e os marginalizados da sociedade e a versão de Dom Antônio lembrando-nos de nossos pecados que causarem a queda de Jesus para alertar-nos contra nossa presunção. 

4a Estação 
Jesus se encontra com sua mãe. 
Depois de ler um pouco sobre a profecia de Simeão e leitor 2 humanizar o sofrimento de Nosso Senhor, o dirigente começa a falar sobre as mães que "sofrem com seus filhos no atendimento à saúde, com a educação deficiente, com a falta de qualificação para o trabalho, com as drogas e com a violência." Caras dioceses, jogam esta "Via Sacra da CNBB" na lixeira e reza uma Via Sacra que vale pelo Amor de Deus, e não pelo amor da humanidade! 

Dom Antônio: "Na agonia no Horto do Getsêmani e no processo infame a que foi submetido seu Divino Filho, esteve ausente Maria Santíssima. Quando, porém, vai Ele consumar o sacrifício da redenção do mundo, Ela se apresenta. É que ambos, Jesus e Maria, no decretos do Altíssimo, estão como identificados na missão redentora do homem. É como Mãe dos remidos que Maria coopera na obra da salvação. É a esta Mãe que recorremos para nos assegurar a fidelidade a seu Divino Filho, em meio da sociedade paganizada que nos envolve." 

Repito ainda que a CNBB não gosta, " É a esta Mãe que recorremos para nos assegurar a fidelidade a seu Divino Filho, em meio da sociedade paganizada que nos envolve." 

5a Estação 
Simão, o Cireneu, ajuda Jesus a carregar a Cruz 
A quinta estação começa mais o menos bem e até o fim que começa falar trás o dirigente sobre "o peso da cruz da enfermidade e da violência" o que realmente são os resultados do pecado, pecado que nem uma só vez aparece neste livrinho da "Celebração da Via Sacra". Continua com mais lixo marxista: "Na sociedade em que os grandes oprimem e exploram o povo, fazei que a Igreja seja o amparo dos pobres e injustiçados." Conflito entre as classes o que promove esta Campanha da Fraternidade (Igualdade e Liberdade). 

Pio XI nós avisa sobre esta doutrina dos marxistas na encíclica Divini Redemptoris (9): "...Essa doutrina proclama que não há mais que uma só realidade universal, a matéria, formada por forças cegas e ocultas, que através da sua evolução natural, se vai transformando em planta, em animal, em homem. Do mesmo modo, a sociedade humana, dizem, não é outra coisa mais do que uma aparência ou forma da matéria, que vai evolucionando, como fica dito, e por uma necessidade inelutável e um perpétuo conflito de forças, vai pendendo para a síntese final: uma sociedade sem classes. É, pois, evidente que neste sistema não há lugar sequer para a idéia de Deus; é evidente que entre espírito e matéria, entre alma e corpo não há diferença alguma; que a alma não sobrevive depois da morte, nem há outra vida depois desta. Além disso, os comunistas, insistindo no método dialético do seu materialismo, pretendem que o conflito, a que acima Nos referimos, o qual levará a natureza à síntese final, pode ser acelerado pelos homens. É por isso que se esforçam por tornarem mais agudos os antagonistas que surgem entre as várias classes, da sociedade, porfiando porque a luta de classes, tão cheia, infelizmente, de ódios e de ruínas, tome o aspeto de uma guerra santa em prol do progresso da humanidade; e até mesmo, porque todas as barreiras que se opõem a essas sistemáticas violências, sejam completamente destruídas, como inimigas do gênero humano." 

E agora o Leão de Campos: "A breve trecho, no caminho do Calvário, convencem-se os verdugos do Salvador de que pela extrema debilidade, conseqüência das torturas a que tinha sido submetido, Jesus Cristo não estava em condições de carregar o seu patíbulo até ao cimo do monte. Forçaram Simão de Cirene a carregar a cruz do Salvador. Nossa salvação, por vontade de Deus, não se realiza sem nossa cooperação. Precisamos, a nosso modo, ajudar Jesus Cristo a carregar a Cruz. E o fazemos quando não nos conformamos com a maneira de proceder de uma sociedade que, na prática, se afastou da austeridade cristã. Que Nossa Senhora nos alcance esta graça." 

Permitam-me dar um pouco de ênfase nesta última frase, "E o fazemos quando não nos conformamos com a maneira de proceder de uma sociedade que, na prática, se afastou da austeridade cristã." Se for vivo nosso querido bispo de Campos. Se pudesse estar conosco nestes tempos escuros! 

6a estação 
Verônica enxuga o rosto de Jesus 
Depois de umas leituras e uma citação de "Gaudium et Spes", o dirigente pede a Deus que renovasse a Igreja colocando ênfase nas pessoas com "rostos desfigurados pelo ódio e pela intolerância de nosso tempo" e convoca todos a rezar que "sejamos uma Igreja fraterna" de novo. Só mais adorando o povo oprimido. 

Dom Antônio de Castro Mayer: "Do meio daquela multidão sádica que formava o séquito nefando do Salvador no caminho do Calvário, destaca-se uma mulher forte que, arrostando a arrogância dos soldados, aproxima-se de Jesus e com uma toalha Lhe limpa o sagrado rosto, desfigurado pelo sangue da coroa de espinhos, pelos escarros dos sicários do Sinédrio e pelas bofetadas da soldadesca bestial. Admiremos envergonhados a fortaleza desta mulher e peçamos a Nossa Senhora nos alcance a graça de nunca trairmos, por respeito humano, nossa religião, com nosso procedimento. " 

7a estação
Jesus cai pela segunda vez 
Aqui o Leitor 2 nós assegura que "o reino que Jesus anuncia e convida o ser humano a participar é o Reino do amor, da vida e da justiça, não o da corrupção, da exploração, do abuso do poder e da força. Quando não há respeito pela pessoa humana e essa é tratada como mercadoria de lucro, a queda é inevitável. Existe pior queda do que essa? O caminho da cruz do cotidiano é duro e penoso. Nem por isso a cruz de nossa missão deve ser abandonada." 

Eu, sinceramente, não posso acreditar o que acabo de ler. As palavras alma, eternidade, salvação, inferno, e céu estão faltando da "Via Sacra" da CNBB mas não só isso agora nós estão dizendo que o reino do Senhor é coisa para os mundanos. De todas as quedas, nós pergunta retoricamente, existe uma queda pior do que falta a respeito às pessoas? Sim eu respondo! Existe! Existe a queda ao pecado mortal que nós tira da salvação do Senhor e nós causa a perdição de nossa alma, a mesma queda ao pecado que é a causa da queda do Nosso Senhor no caminho ao Calvário! Que bestiais esta CNBB tirando meditação do Senhor para refletir só no povo perguntando-nós se existe pior queda do que falta de respeita para um humano. Blasfêmia! A falta de respeita nas paróquias ao Corpo, Alma, Sangue, e Divindade de Nosso Senhor nos abuso da liturgia que todos os brasileiros que sabem acontece frequentemente! A falta de respeito a Deus. A falta de respeito para com o Sagrado! Estes apóstatas não merecem ocupar a posição na Santa Igreja que ocupam! Como podem? Pior queda do que essa? Sim existe sem vergonhas! 

Quem escreveu e mandou publicar este lixo não tem nem uma pequena fração da dignidade e respeito a Deus que tinha o bispo de Campos. "Não obstante o auxílio do Cirineu, a enorme fraqueza do Salvador fê-lo cair uma segunda vez no caminho do Calvário. Esta segunda queda do Salvador lembra nossas repetidas culpas e, de outro lado, da infinita misericórdia de Deus, que só espera nosso arrependimento para nos soerguer. Que a fraqueza do Redentor que o prostrou por terra, seja a nossa fortaleza, e não nos permita aceitar um meio-catolicismo ao sabor da sensualidade, feito mais de quedas do que de virtudes. " 

Nem meio-catolicismo tem a CNBB. Tem zero catolicismo esses caras. 


Eu não vou poder terminar essa comparação da "Via Sacra" da CNBB. Só provoca o povo meditar em conflito entre as classes, humanismo, materialismo, e a Teologia da Libertação. Há bastantes outras coisas que se pode dizer sobre a "Via non Sacra" da CNBB, ataca a fé pessoal das pessoas e é um perigo nas dioceses. Na minha opinião a Via Sacra de Dom Antônio de Castro Mayer é perfeita. Podem ler-a aqui ou outros lugares no web e imprimir para usar durante Quaresma. Qualquer coisa seria melhor que a "Via non Sacra" da CNBB. Tira esse lixo das paróquias pelo amor de Deus e usa qualquer outra, São Francisco também tem uma versão e existem outras que são boas.


Também veja: 


CNBB retire o apoio a esta equivocada reforma política bolivariana como apresenta no texto-base da Campanha da Fraternidade 2015







segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Ineffabilis Deus

Ineffabilis Deus


Epístola apostólica de Pio IX
 De 8 de dezembro de 1854
 SOBRE A IMACULADA CONCEIÇÃO (Concepção)


 

Dominus possedit me in initio viarum suarum, antequam quidquam faceret a principio. Ab æterno ordinata sum, et ex antiquis, antequam terra fieret.


 1. Maria nos projetos de Deus.  

O inefável Deus, cuja conduta é misericórdia e verdade, cuja vontade é onipotência e cuja sabedoria alcança qualquer limite e com fortaleza dispõe suavemente todas as coisas, havendo previsto desde toda a eternidade a ruína lamentadíssima de todo o gênero humano, que havia de provir da transgressão de Adão, havendo decretado, com plano misteriosamente escondido desde a eternidade, levar até o fim a primitiva obra de sua misericórdia, com projeto todavia mais secreto por meio da encarnação do Verbo, para que não perecesse o homem impelido pela culpa da astúcia da maldade diabólica e para que o que fez cair o primeiro Adão fosse restaurado mais felizmente posteriormente, chamada e escolhida, desde o principio e antes dos tempos, uma Mãe, para que seu Filho Unigênito, feito sua carne, nascesse na feliz plenitude dos tempos, em tanto querer a amou acima de todas as criaturas, que somente nela se encontrou sua grande benevolência. Pelo que tão maravilhosamente a encheu da abundância de todos os carismas celestes, por méritos do tesouro divino, muito acima de todos os anjos e santos, que ela, absolutamente sempre livre de toda mancha de pecado, sendo toda formosa e perfeita, manifestasse tal plenitude de inocência e santidade, que não se concebe de modo algum, depois de Deus, alguém tão grande e nada pode imaginá-la distante de Deus.

E, por certo, era conveniente que brilhasse sempre adornada dos resplendores da perfeitíssima santidade e que reportasse um total triunfo da antiga serpente, eternamente imune até mesmo da mesma mancha da culpa original, tão venerável Mãe, a quem Deus Pai preparou a dar o seu único Filho, a quem amou como a si mesmo, gerado consubstancial ao seu coração, de tal maneira que naturalmente fossem um e o mesmo Filho comum de Deus Pai e da Virgem, a quem o mesmo Filho determinou fazer-se pessoa substancial de sua Mãe e de quem o Espírito Santo quis e fez que fosse concebido e nascesse Aquele de quem Dele mesmo procede.


2. Opinião da Igreja a respeito da Concepção Imaculada.

E neste momento a Igreja Católica tem incessantemente ensinado através do Espírito Santo, que é o pilar e fundamento firme da verdade e que jamais desistiu de explicar, manifestar e dar vida, das mais variadas e ininterruptas maneiras, com feitos cada vez mais esplêndidos sobre a original inocência da Augusta Virgem, junto com sua admirável santidade, muito em consonância com a altíssima dignidade de Mãe de Deus, por tê-la como doutrina recebida do alto e contendo o depósito da revelação. Pois esta doutrina, em vigor desde as mais antigas épocas, intimamente inoculada nos espíritos dos fiéis, maravilhosamente propagada pelo mundo católico através dos cuidados exaustivos dos sagrados prelados, esplendidamente se revelou à Igreja, mesmo quando não hesitou em proclamar o culto público e veneração dos fiéis à Concepção da mesma Virgem. Ainda assim, com este glorioso feito, corretamente apresentou o culto à Concepção da mesma Virgem como algo singular, maravilhoso e muito distinto das origens dos demais homens e perfeitamente santo para ser celebrado nas festividades dos santos. E por isso tornou costume empregar nos ofícios eclesiásticos e na sagrada liturgia as mesmas palavras que empregavam as divinas Escrituras tratando do Verbo Incriado e descrevendo suas eternas origens, e aplicá-la aos princípios (origens) da Virgem, os quais haviam sido predeterminados com um mesmo decreto, juntamente com a encarnação do Verbo Divino.

E até mesmo quando todas estas coisas, admitidas quase universalmente pelos fiéis se manifestaram com zelo, também manteve a Igreja Romana, mãe e mestra de todas as Igrejas, a doutrina da Concepção Imaculada da Virgem, para isso, os gloriosos feitos da Igreja são muito dignos de serem um a um enumerados, sendo como é tão grande sua dignidade e autoridade, quanta absolutamente deve ser centro da verdade e unidade católica, na qual tem sido guardada inviolavelmente a religião e da qual todas as demais Igrejas têm de receber a tradição da fé. Sendo assim, a Igreja Romana tem, em seu coração, que professar, promulgar, propagar e defender a Concepção Imaculada da Virgem, seu culto e sua doutrina, das maneiras mais significativas.


3. Contribuição prestada pelos papas ao culto da Imaculada.

Muito clara e abertamente eles testemunharam e declararam estes tantos grandes feitos dos Romanos Pontífices, nossos predecessores, para os quais Cristo Nosso Senhor recomendou, na pessoa do Príncipe dos Apóstolos, o supremo cuidado e poder de apascentar os cordeiros e as ovelhas, de robustecer aos irmãos na fé e de reger e governar a Igreja Universal. Agora então, nossos predecessores muito se gloriam em estabelecer com sua autoridade apostólica, na Igreja Romana, a festa da Concepção e dar-lhe mais auge e esplendor com um ofício próprio e missa própria, no que claríssimamente se confirma a prerrogativa da imunidade da mancha hereditária e de promover e ampliar com toda sorte de indultos o culto já estabelecido, ora com a concessão de indulgências, ora com a permissão outorgando às cidades, províncias e reinos de que se tem por padroeira a Mãe de Deus o humilde título da Imaculada Concepção, ora com a aprovação de mosteiros, congregações, institutos religiosos fundados em honra da Imaculada Concepção, ora louvando a piedade dos fundadores de monastérios, hospitais, altares, templos o humilde título da Imaculada Concepção, desses que se obrigaram com voto a defender valentemente a Concepção Imaculada da Mãe de Deus. Grandíssima alegria sentiram, aliás, em decretar que a festividade da Concepção deva ser considerada por toda a Igreja exatamente como a da Natividade, que deve se celebrar pela Igreja Universal com oitava, que deve ser guardada santamente por todos como as de preceito e que deve haver, no santuário papal em nossa patriarcal basílica Liberiana, anualmente um dia dedicado à Concepção da Virgem. E desejando fomentar cada dia mais nas mentes dos fiéis o conhecimento da doutrina da Concepção Imaculada de Maria Mãe de Deus e estimular-lhes ao culto e veneração da mesma Virgem concebida sem mancha original, gozassem em conceder, com a maior satisfação possível, permissão para que publicamente se proclamasse nas ladainhas de Nossa Senhora e no mesmo prefácio da missa, a Imaculada Concepção da Virgem e se estabelecesse, dessa maneira, com a mesma forma de orar a norma da fé. Nós, aliás, seguindo fielmente as pegadas de tão grandes predecessores, não só tivemos por bem aceitarmos todas as coisas piedosíssima e sapientíssimamente, mas também estabelecê-las e ainda recordando o determinado por Sixto IV, demos nossa autorização ao ofício próprio da Imaculada Concepção e de muito bom grado concedemos seu uso à Igreja Universal.


4. Deva-se aos papas a determinação exata do culto da Imaculada

Mas, com o desejo que as coisas relacionadas com o culto estivessem íntima e totalmente ligadas com seu objeto e, como não se pode permanecer firmes em seu bom estado se estiverem envolvidas na incerteza e ambigüidade, foi por isso que nossos predecessores Romanos Pontífices se dedicaram com todo esmero ao esplendor do culto da Concepção e puseram tambémtodo seu empenho em esclarecer e inculcar seu objetivo e doutrina. Pois na plena claridade ensinaram do que se tratava em festejar a Concepção da Virgem e proscreveram (condenaram) como falso e muito distante à mente da Igreja o conceito dos que opinaram e afirmavam que a Igreja venerava, não a Concepção, mas sim a santificação. Nem acreditavam que deviam tratar com suavidade os que, com a finalidade de lançar por terra a doutrina da Imaculada Concepção da Virgem, distinguiam o momento da Concepção entre um primeiro e segundo instantes e afirmavam que certamente se celebrava a Concepção, mas não no primeiro instante e momento. Pois nossos mesmos predecessores julgaram que era seu dever defender e promulgar com todo zelo, como verdadeiro objeto do culto, a festividade da Concepção da Santíssima Virgem, e Concepção no primeiro instante. Daí as palavras verdadeiramente decisivas com que Alexandre VII, nosso predecessor, declarou claramente à Igreja, dizendo: Antiga, porcerto, é a piedade dos fiéis cristãos para com a santíssima Mãe Virgem Maria, que sentem que sua alma, no primeiro instante de sua criação e infusão no corpo, foi preservada imune da mancha do pecado original, por singular graça e privilégio de Deus, na atenção aos méritos de seu Filho Jesus Cristo, redentor do gênero humano e que, neste sentido, veneram e celebram com solene cerimônia a festa de sua Concepção.(Const. "Sollicitudo omnium Ecclesiarum", 8 de dezembro de 1661) -[texto integral logo adiante].

E ante todas as coisas, foi costume também entre os mesmos nossos predecessores defender, com todo cuidado, zelo e esforço e manter incólume a doutrina da Concepção Imaculada da Mãe de Deus. Pois não somente não toleraram de modo algum que se atrevesse alguém a manchar e censurar essa mesma doutrina como mais adiante declararam, claríssima e repetidamente que a doutrina com a qual professamos a Imaculada Concepção da Virgem tem, com razão, muita harmonia com o culto eclesiástico e tal era antiga e quase universal, que a Igreja Romana se havia encarregado de seu fomento e defesa, sendo ela digníssima para que se lhe desse lugar próprio na sagrada liturgia e nas orações públicas.


5. Os papas proibiram a doutrina contrária.

E, não satisfeitos com isto, para que a mesma doutrina da Concepção Imaculada da Virgem permanecesse intacta, proibiram severamente que se pudesse defender pública ou privadamente a opinião contrária a esta doutrina e quiseram acabar com isso à força de múltiplos golpes mortais. Apesar disto, ainda com repetidas e claríssimas declarações, passaram às sanções, para que estas não fossem vãs. Todas estas coisas compreendeu o citado nosso predecessor Alexandre VII com estas palavras: "Nós, considerando que a Santa Igreja Romana celebra solenemente a festividade da Imaculada sempre Virgem Maria, e que preparou em outro tempo um ofício especial e próprio acerca disto, conforme a piedosa, devota, e louvável prática que então emanou de Sixto IV, nosso predecessor: e querendo, a exemplo dos Romanos Pontífices, Nossos Predecessores, favorecer a esta louvável piedade e devoção e festa, ao culto em consonância com ela, e jamais modificado na Igreja Romana depois da instituição do mesmo e (querendo), aliás, salvaguardar esta piedade e devoção de venerar e celebrar a Santíssima Virgem preservada do pecado original, claro está, pela graça proveniente do Espírito Santo; desejando conservar no rebanho de Cristo a unidade do espírito nos laços da paz (Efes. 4, 3), apaziguados os choques e guerras e, removidos os escândalos: na atenção à instância nos é apresentada e para a honra dos mencionados Bispos com os conselhos de suas Igrejas e do rei Felipe e de seus reinos; renovamos as Constituições e decretos promulgados pelos Romanos Pontífices, Nosso Predecessores, e principalmente por Sixto IV, Paulo V e Gregório XV em favor da sentença que afirma que a alma da Santa Virgem Maria em sua criação, na infusão do corpo foi favorecida com a graça do Espírito Santo e preservada do pecado original em favor também da festa e culto da Concepção da mesma Virgem Mãe de Deus prestado, segundo se disse, conforme a essa piedosa sentença e mandamos que se observe humilde as censuras e penas contidas nas mesmas Constituições.
E aliás, a todos e cada um dos que continuarem interpretando as mencionadas Constituições ou decretos, de sorte que anulem o favor dado por estas à feliz sentença e festa ao culto tributado conforme a ela, ou ousarem promover uma disputa sobre esta mesma sentença, festa ou culto, ou falar, pregar, tratar, disputar contra estas coisas de qualquer maneira, direta ou indiretamente ou com qualquer pretexto, ainda examinar sua definibilidade, ou de suprimir ou interpretar a Sagrada Escritura ou os Santos Padres ou Doutores, finalmente com qualquer pretexto ou ocasião por escrito ou de palavra, determinando e afirmando coisa alguma contra elas, ora expondo argumentos contra elas e deixando-os sem solução, ora discutindo de qualquer outra maneira inimaginável; fora das penas e censuras contidas nas Constituições de Sixto IV, às quais queremos sujeitá-las, pelas presentes lhe sujeitarmos e queremos também privá-los da permissão de pregar, dar lições públicas, ou de ensinar, de interpretar, de voz ativa e passiva em quaisquer eleições pelo feito de comportar-se desse modo e sem outra declaração alguma nas penas de inabilidade perpétua para pregar e dar lições públicas, ensinar e interpretar; e que não podem ser absolvidos ou dispensados destas coisas nem por nós mesmos ou por nossos sucessores os Romanos Pontífices; e queremos assim, pelos presentes termos, que sejam submetidos e sujeitados às mesmas e a outras penas infligíveis, renovando as Constituições e decretos de Paulo V e de Gregório XV, acima mencionados.
Proibimos, além das penas e censuras contidas no Índice dos livros proibidos, os livros nos quais se põe em dúvida a mencionada sentença, festa ou culto conforme ela, ou se escreve ou lê algo contra essas coisas de maneira que seja, como acima citado, ou se contém frase, sermões, tratados e disputas contra as mesmas, editados depois do decreto de Paulo V, acima citado, ou que se editarem, de maneira que sejam futuramente expressamente proibidos imediatamente (ipso facto) e sem mais declarações".


6. Sentimento unânime dos sábios bispos e religiosos.

Mas todos sabem com que zelo tão grande foi exposta, afirmada e defendida esta doutrina da Imaculada Concepção da Virgem Mãe de Deus pelas esclarecidíssimas famílias religiosas e pelas mais concorridas academias teológicas e pelos avantajadíssimos doutores na ciência das coisas divinas. Todos, assim mesmo, sabem com que solicitude tão grande tiveram, os bispos, aberta e publicamente professado, até mesmo nas mesmas assembléias eclesiásticas, que a santíssima Mãe de Deus, a Virgem Maria, em previsão dos merecimentos de Cristo Senhor Redentor, nunca esteve submetida ao pecado, mas que foi totalmente preservada da mancha original e, de conseguinte,, redimida da mais sublime maneira.


7. O concílio de Trento e a tradição,

Agora então, a estas coisas se junta um feito verdadeiramente de peso e sumamente extraordinário, que convém saber: que também o mesmo concílio Tridentino, ao promulgar o decreto dogmático do pecado original, pelo qual estabeleceu e definiu, conforme os testemunhos das sagradas Escrituras e dos Santos Padres e dos recomendabilíssimos concílios, que os homens nascem manchados pela culpa original, sem restrição, solenemente declarou que não era sua intenção incluir a santa e Imaculada Virgem Mãe de Deus neste mesmo decreto e em uma definição tão ampla. Pois com esta declaração suficientemente ensinaram os Padres tridentinos, dadas as circunstâncias das coisas e dos tempos, que a mesma santíssima Virgem havia sido livrada da mancha original, e até claríssimamente deram a entender que não podia se apresentar fundamentalmente argumento algum das divinas escrituras, da tradição, da autoridade dos Padres que se opusesse em maneira alguma a tão grande prerrogativa da Virgem.

E, de fato realmente, ilustres monumentos da venerada antigüidade da Igreja oriental e ocidental vigorosíssimamente testificam que esta doutrina da Concepção Imaculada da santíssima, Virgem, tão esplendidamente explicada, declarada, confirmada cada vez mais pelo sério sentimento, magistério, estudo, ciência e sabedoria da Igreja, e tão maravilhosamente propagada entre todos os povos e nações do mundo católico, existiu sempre na mesma Igreja como recebida dos antepassados e distinguida com o selo de doutrina revelada.

Pois a Igreja de Cristo, diligente custódia e defensora dos dogmas a ela confiados, jamais os mudou em nada, nem diminuiu, nem acrescentou, antes, tratando, fiel e sabiamente, com todos seus recursos as verdades que a antigüidade tem esboçado e a fé dos Padres tem semeado, de tal maneira trabalha por arquivá-las e poli-las, para que os antigos dogmas da celestial doutrina recebam claridade, luz, precisão, sem que se percam, sem restrição, sua plenitude, sua integridade, sua índole própria e se desenvolvam tão só segundo sua natureza; e dizer o mesmo dogma, no mesmo sentido e parecer.


8. Sentimento dos Santos Padres e dos escritores eclesiásticos.

E por certo, os Padres e escritores da Igreja, adoutrinados pelos divinos ensinamentos, não tiveram tanto no coração e nos livros composições para explicar as Escrituras, defender os dogmas e ensinar aos fiéis, como o pregar e louvar de muitas e maravilhosas maneiras, além da obstinação, à altíssima santidade da Virgem, sua dignidade, sua imunidade de toda mancha de pecado e sua gloriosa vitória do terrível inimigo do gênero humano.


9. O Protoevangelho.

Razão pela qual, quando ilustrando as palavras com que Deus predizendo, nos princípios do mundo, os remédios de sua piedade dispostos para a reparação dos mortais, esmagou a ousadia da enganosa serpente e levantou maravilhosamente a esperança de nosso gênero, dizendo: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre tua descendência e a delaensinaram que, com este divino oráculo, foi de antemão designado clara e patentemente o misericordioso Redentor do gênero humano, ou seja, o unigênito Filho de Deus, Cristo Jesus, e designada a santíssima Mãe, a Virgem Maria, e ao mesmo tempo brilhantemente postas em relevo as mesmas inimizades de ambos contra o diabo. Razão pela qual, assim Cristo, mediador de Deus e dos homens, assumiu a natureza humana, apagando a escritura do decreto que nos era contrário, foi pregado triunfante na cruz, assim a santíssima Virgem, unida a ele com apertadíssimo e indissolúvel vínculo, hostilizando com ele e por ele eternamente a venenosa serpente e do mesmo triunfo a todo o gênero, triturou sua cabeça com o pé imaculado.


10. Figuras Bíblicas de Maria.

Este exímio e sem par triunfo da Virgem e excelentíssima inocência, pureza, santidade, sua integridade de toda mancha de pecado e inefável abundância e grandeza de todas as graças, virtudes e privilégios, prefigurado já nos mesmos pais no arca de Noé que, providencialmente construída, saiu totalmente salva e incólume do comum naufrágio de todo o mundo (Gn 3,13-22); já naquela escada onde viu Jacó que ela ligava a terra ao céu e por cujos degraus subiam e desciam os anjos de Deus e em cujo cume se apoiava o mesmo Senhor (Gn 28,12); já naquela sarça que contemplou Moisés arder de todas partes e entre o brilho das chamas não se consumia ou se gastava o mais mínimo, mas que formosamente reverdecia e florescia (Ex 3,2); ora naquela torre inexpugnável ao inimigo, da qual estendem mil escudos e toda sorte de fortes armas (Ez 27,11); ora naquele jardim fechado que não podem violar nem abrir fraudes e armadilhas algumas (Dn 13,20); ora naquela resplandecente cidade de Deus, cujos fundamentos se assentam nos montes santos (Sl 87,1), às vezes naquele augustíssimo templo de Deus que, aureola­do de resplendores divinos, está cheio, da glória de Deus (1Rs 8); às vezes em outras verdadeiramente inumeráveis figuras da mesma classe, com as que os Padres ensinaram que havia sido predita claramente a excelsa dignidade da Mãe de Deus, sua incontaminada inocência e sua santidade, jamais sujeita a mancha alguma.


11. Os profetas.

Para descrever isto mesmo como compêndio de divinos dons e a integridade original da Virgem, da que nasceu Jesus, os mesmos [Pais], servindo-se das palavras dos profetas, não celebraram a mesma augusta Virgem de outra maneira que não a de pomba pura, a Jerusalém santa, o trono excelso de Deus, a arca de santificação, a casa em que se construiu a eterna Sabedoria e aquela Rainha que, transbordando felicidade e apoiada em seu Amado, saiu da boca do Altíssimo absolutamente perfeita, formosa e queridíssima de Deus e sempre livre de toda mancha.


12. A Ave Maria e o Magnificat.

Mas atentamente considerando, os mesmos Padres e escritores da Igreja, que a santíssima Virgem havia sido chamada cheia de graça, por mandato e em nome do mesmo Deus, pelo Gabriel quando este lhe anunciou a altíssima dignidade de Mãe de Deus, ensinaram que, com essa singular e solene saudação, jamais ouvida, manifestava-se que a Mãe de Deus era sede de todas as graças divinas e que estava adornada de todos os carismas do divino Espírito; mais ainda, que era como tesouro quase infinito dos mesmos e abismo inesgotável, de sorte que, jamais sujeita à maldição e partícipe, juntamente com seu Filho, da perpétua benção, mereceu ouvir de Isabel, inspirada pelo divino Espírito: Bendita és tu entre as mulheres e bendito o fruto de teu ventre.

Daí se deriva o sentimento não menos claro, mas unânime, segundo o qual a gloriosíssima Virgem, em quem fezgrandes coisas o Poderosobrilhou com tal abundância de todos os dons celestes, com tal plenitude de graça e com tal inocência, que resultou como um inefável milagre de Deus, mais ainda, como o milagre ápice de todos os milagres e digna Mãe de Deus, alegrando-se a Deus mesmo, de acordo com que a condição de criatura permitiu, o mais próximo possível, ela foi superior a todo louvor humano ou angelical.


13. Paralelo entre Maria e Eva

E, por conseguinte, para defender a original inocência e santidade da Mãe de Deus, não só a compararam muito freqüentemente com Eva, entretanto virgem, entretanto inocente, entretanto incorrupta e entretanto não enganada pelas mortíferas armadilhas da traiçoeira serpente, mas também a antepuseram a ela com maravilhosa variedade de palavras e pensamentos. Pois Eva, miseravelmente complacente com a serpente, caiu da original inocência e se converteu em sua escrava; mas a santíssima Virgem aumentando o incessante dom original, sem prestar jamais atenção à serpente, arruinou até as fundações de sua (da serpente) poderosa força com a virtude recebida do alto.


14. Expressões de louvor

Razão pela qual jamais deixaram de chamar à Mãe de Deus de o lírio entre espinhos, a terra absolutamente intacta, virginal, sem mancha, imaculada, sempre Bendita, e livre de toda mancha de pecado, da qual se formou o novo Adão; o paraíso imaculado, vistosíssimo, interessante de inocência, de imortalidade e de delícias, por Deus mesmo projetado e defendido de toda intriga da venenosa serpente; a árvore irressecável, que jamais se corroeu pelo verme do pecado; a fonte sempre limpa e selada pela virtude do Espírito Santo; o diviníssimo templo, o tesouro de imortalidade, a única e somente filha não da morte, mas da vida, gérmen não da ira, mas da graça, que, por singular providência de Deus, floresceu sempre vigorosa de uma raiz corrompida e danificada, fora das leis comumente estabelecidas. Mas, como se estas coisas, embora muito gloriosas, não fossem suficientes, declararam, com próprias e precisas expressões, que, ao tratar de pecados, não se havia de fazer a mais mínima menção da santa Virgem Maria, à qual se concedeu mais graça para triunfar totalmente do pecado; professaram aliás que a gloriosíssima Virgem foi reparadora dos Pais, vivificadora dos descendentes, eleita desde a eternidade, preparada para si pelo Altíssimo, predita por Deus quando disse à serpente: Porei inimizades entre ti e a mulher, que certamente triturou a venenosa cabeça da mesma serpente e, por isso, afirmaram que a mesma santíssima Virgem foi por graça limpa de toda mancha de pecado e livre de toda mácula de corpo, alma e entendimento, que sempre esteve com Deus, unida com ele com eterna aliança, que nunca esteve nas trevas, mas na luz e, de conseguinte, que foi aptidíssima morada para Cristo, não por disposição corporal, mas pela graça original.

A isto há que se acrescentar os gloriosíssimos ditos com que, falando da Concepção da Virgem, atestaram que a natureza cedeu seu posto à graça, parou-se trêmula e não ousou avançar; pois a Virgem Mãe de Deus não havia de ser concebida de Ana antes que a graça desse seu fruto: porque convinha, à verdade, que fosse concebida a primogênita da que haveria de ser concebido o primogênito de toda criatura.


15. Imaculada

Atestaram que a carne da Virgem tomada de Adão não recebeu as manchas de Adão e, de conseguinte, que a Virgem Santíssima e o tabernáculo criado pelo mesmo Deus, formado pelo Espírito Santo, que é verdadeiramente de púrpura, o novo Beseleel, elaborou com variados labores de ouro, que ela é, e com razão se a celebra, como a primeira e exclusiva obra de Deus, como a que saiu ilesa dos igníferos dardos do maligno, como a que é formosa por natureza e totalmente inocente, apareceu ao mundo como aurora brilhantíssima em sua Concepção Imaculada. Pois não caía bem que Aquele objeto de eleição fosse atacado, da universal miséria pois, diferenciando-se imensamente dos demais, participou da natureza, não da culpa; mais ainda, muito mais convinha que como o unigênito teve Pai no céu, a quem os serafins exaltam por Santíssimo, tivesse também na terra Mãe que não houvesse jamais sofrido diminuição no brilho de sua santidade.

E por certo, esta doutrina havia penetrado nas mentes e corações dos antepassados de tal maneira, que prevaleceu entre eles a singular e maravilhosíssima maneira de falar com que frequentíssimamente se dirigiram à Mãe de Deus chamando-a imaculada, humilde a todos, a imaculada, inocente e inocentíssima, sem mancha e humilde em todos os aspectos, imaculada, santa e muito alheia a toda mancha, toda pura, toda sem mancha, como o ideal de pureza e inocência, mais formosa que a formosura, mais adornada que o mesmo adorno, mais santa que a santidade, e somente santa, puríssima na alma e no corpo, que superou toda integridade e virgindade, somente convertida totalmente em morada de todas as graças do Espírito Santo e que, à exceção somente de Deus, resultou superior a todos, por natureza mais formosa e vistosa e santa que os mesmos querubins e serafins e que toda a multidão dos anjos, cuja perfeição não podem, de modo algum, glorificar dignamente nem as línguas dos anjos nem as dos homens. E ninguém desconhece que este modo de falar foi transportado espontaneamente à santíssima liturgia e a aos ofícios eclesiásticos, que nos encontramos a cada passo com ele e que está repleto, pois neles se invoca e proclama a Mãe de Deus como única pomba de irrepreensível formosura, como rosa sempre fresca, em todos os aspectos puríssima, sempre imaculada e sempre santa, celebrada como a inocência que nunca sofreu dano e, como segunda Eva, que deu à luz ao Emmanuel.


16. Universal consentimento e solicitações da definição dogmática.

Não é, pois, de maravilhar que os pastores da mesma Igreja e os povos fiéis se tenham gloriado de professar com tanta piedade, religião e amor a doutrina da Concepção Imaculada da Virgem Mãe de Deus, segundo o juízo dos Padres, contendo nas divinas Escrituras, confiada à posteridade com testemunhos seríssimos dos mesmos, posta de relevo e cantada por tão gloriosos monumentos da veneranda antigüidade, exposta e defendida pelo sentimento soberano e respeitadíssima autoridade da Igreja, de tal modo que aos mesmos não lhe era coisa mais doce, nada mais querido, que agasalhar, venerar, invocar e falar em todas partes com iluminadíssimo afeto à Virgem Mãe de Deus, concebida sem mancha original, pela qual, já desde os remotos tempos, os prelados, os eclesiásticos, as ordens religiosas, até mesmo os mesmos imperadores e reis, suplicaram urgentemente a esta Sede Apostólica que fosse definida como dogma de fé católica a Imaculada Concepção da santíssima Mãe de Deus. E estas solicitações se repetiram também nestes nossos tempos e foram muito principalmente apresentadas a Gregório XVI, nosso predecessor, de agradável recordação, a nós mesmo, seja pelos bispos, seja pelo clero secular, seja pelas famílias religiosas, pelos príncipes soberanos e pelos fiéis povos. Nós, pois, tendo perfeito conhecimento de todas estas coisas, com singular gozo de nossa alma e as pensando seriamente, tão prontamente, por um misterioso projeto da divina Providência, fomos elevados, embora sem merecê-lo, a esta sublime Cátedra de Pedro para fazermos cargo do governo da Igreja Universal, não tivemos, certamente, tanto no coração conforme a nossa grandíssima veneração, piedade e amor para com a santíssima Mãe de Deus, a Virgem Maria, já sentidos desde a tenra infância, como levar ao cabo todas aquelas coisas que todavia desejava a Igreja, convém a saber: dar maior incremento à honra da santíssima Virgem e colocar em melhor luz suas prerrogativas.


17. Trabalho preparatório.

Mas querendo extremar a prudência, formamos uma congregação, de nossos veneráveis irmãos, os cardeais da Santa Igreja Romana, distinguidos por sua piedade, dom de conselho e ciência das coisas divinas e escolhemos a teólogos exímios, tanto o clero secular como regular, para que considerassem escrupulosamente todo o referente à Imaculada Concepção da Virgem e nos expusessem seu próprio parecer. Mas embora, a julgar pelas solicitações recebidas, nos era plenamente conhecido o sentimento decisivo de muitíssimos prelados acerca da definição da Concepção Imaculada da Virgem. Sem restrição, escrevemos a 2 de fevereiro de 1849, em Cayeta, uma carta encíclica a todos os veneráveis irmãos do mundo católico, os bispos, com a finalidade de que, depois de orar a Deus, manifestasse-nos também, por escrito, qual era a piedade e devoção de seus fiéis para com a Imaculada Concepção da Mãe de Deus e o que sentiam a maioria dos bispos acerca da definição, ou o que desejavam para poder dar à nossa soberana sentença da maneira mais solene possível.

Não foi para nós consolo exíguo a chegada das respostas dos veneráveis irmãos, pois os mesmos, respondendo-nos com uma incrível complacência, alegria e fervor, não só reafirmaram a piedade e sentimento próprio e de seu clero e povo a respeito da Imaculada Concepção da santíssima Virgem, mas também ardentemente nos pediram que definíssemos a Imaculada Concepção da Virgem com nossa suprema e autoritativa sentença. E, entretanto, não nos sentimos certamente inundados de menor gozo quando nossos veneráveis irmãos, os cardeais da Santa Igreja Romana, que formavam a mencionada congregação especial, os teólogos ditos eleitos por nós, depois de um diligente exame da questão, nos pediram com igual e entusiasto fervor a definição da Imaculada Concepção da Mãe de Deus.

Depois destas coisas, seguindo as gloriosas pegadas denossos predecessores, desejando proceder com abraçada retidão, convocamos e celebramos consistório, no qual dirigimos a palavra a nossos veneráveis irmãos, os cardeais da santa Igreja Romana, com sumo consolo de nossa alma lhe ouvimos e pedimos que tivéssemos ao bem definir o dogma da Imaculada Concepção da Virgem Mãe de Deus.

Assim, pois, extraordinariamente confiados no Senhor de que havia chegado o tempo oportuno de definir a Imaculada Concepção da Mãe de Deus a Virgem Maria, que maravilhosamente esclarecem e declaram as divinas Escrituras, a venerável tradição, o perpétuo sentimento da Igreja, a ânsia unânime e singular dos prelados católicos e fiéis, os famosos feitos e constituições de nossos predecessores; consideradas todas as coisas com suma diligência e dirigidas a Deus constantes e fervorosas orações, temos julgado que nós não devíamos já titubear em sancionar ou definir com nossa sentença soberana a Imaculada Concepção da Virgem, deste modo agradar aos piedosíssimos desejos do mundo católico, a nossa piedade com a mesma santíssima Virgem e juntamente glorificar mais e mais nela o seu unigênito Filho Nosso Senhor Jesus Cristo, pois redunda no Filho a honra e louvor dirigidos à Mãe.


18. Definição.

Pelo qual, depois de oferecer sem interrupção a Deus Pai, por meio de seu Filho, com humildade e penitência, nossas privadas orações e as públicas da Igreja, para que se dignasse dirigir e assegurar nossa mente com a virtude do Espírito Santo, implorando o auxílio de toda corte celestial e invocando com gemidos o Espírito paráclito, inspirando-nos ele mesmo, para honra da Trindade Santa, para glória e honra da Virgem Mãe de Deus, para exaltação da fé católica e aumento da religião cristã, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, com a dos santos apóstolos Pedro e Paulo, e com a nossa: declaramos, afirmamos e definimos que tenha sido revelada por Deus e, de conseguinte, que deve ser crida firme e constantemente por todos os fiéis, a doutrina que sustenta que a santíssima Virgem Maria foi preservada imune de toda mancha de culpa original no primeiro instante de sua Concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, na atenção aos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano. Razão pela qual, se alguém presumir sentir em seu coração algo contra o que nós temos definido, que Deus não o permita, tenham entendido e saibam aliás que se condenam por sua própria sentença, que tem naufragado na fé e que se tem separado da unidade da Igreja, quealiás, se ousarem manifestar de palavra ou por escrito, ou de outra qualquer maneira externa, ou que sentirem em seu coração, por estas coisas estejam sujeitos às penas estabelecidas pelo direito.


19. Sentimentos de esperança e exortação final.

Nossa boca está cheia de alegria e nossa língua de júbilo e damos humildíssimas e grandíssimas graças a Nosso Senhor Jesus Cristo e sempre as daremos, por havermos conhecido até mesmo sem merecê-lo, o singular benefício de oferecer e decretar este honra, esta glória e louvor à sua santíssima Mãe. Mas sentimos firmíssima esperança e confiança absoluta de que a mesma santíssima Virgem, que toda formosa e imaculada triturou a venenosa cabeça da crudelíssima serpente e trouxe a saúde ao mundo, a glória dos profetas e apóstolos, a honra dos mártires, a alegria e coroa de todos os santos, refúgio seguríssimo de todos os que estão em perigo, fidelíssima auxiliadora e poderosíssima mediadora e conciliadora de todo o mundo da terra ante seu unigênito Filho, gloriosíssima glória e adorno da santa Igreja, firmíssimo baluarte que destruiu sempre todas as heresias e livrou sempre das maiores calamidades de toda ordem os povos fiéis e nações, a nós mesmos nos tirou de tantos ameaçadores perigos; fará com seu valiosíssimo patrocínio que a santa Mãe Católica Igreja, removidas todas as dificuldades e vencidos todos os erros, em todos os povos, em todas as partes, tenha vida cada vez mais florescente e vigorosa e reine de mar a mar e do rio até os términos da terra e desfrute de toda paz, tranqüilidade e liberdade, para que consigam os réus o perdão, os enfermos o remédio, os fracos a força, os aflitos o consolo, os que estão em perigo a ajuda oportuna e limpe a escuridão da mente, os desviados retornem ao caminho da verdade e da justiça e que se forme um só rebanho e um só pastor.

Escutem estas nossas palavras todos nossos queridíssimos filhos da católica Igreja e continuem, com fervor cada vez mais aceso de piedade, religião e amor, venerando, invocando, orando à santíssima Mãe de Deus, a Virgem Maria, concebida sem mancha de pecado original, e se acheguem com toda confiança a esta dulcíssima Mãe de misericórdia e graça em todos os perigos, angústias, necessidades e em todas as situações obscuras e terríveis da vida. Pois nada se há de temer, de nada há que desesperar se ela nos guia, patrocina, favorece, protege, pois tem para conosco um coração maternal e, ocupada nos negócios de nossa salvação, preocupa-se com todo o gênero humano, constituída, pelo Senhor, Rainha do céu e da terra e colocada acima de todos os coros dos anjos e coros dos santos, situada à direita de seu unigênito Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, sempre alcança com suas valiosíssimas súplicas maternais e encontra o que busca, mas não é capaz, quando desapontada.

Finalmente, para que chegue ao conhecimento da Igreja Universal esta nossa definição da Imaculada Concepção da santíssima Virgem Maria, queremos que, como perpétua recordação, sejam estas nossas cartas apostólicas; e mandamos que a suas cópias ou exemplares ainda impressos sejam firmados por algum notário público e resguardados por selo de alguma pessoa eclesiástica constituída em dignidade, para que dêem todos, exatamente o mesmo crédito que dariam a estas, se lhe fossem apresentadas e mostradas.

A ninguém, pois, lhe seja permitido quebrar esta página de nossa declaração, manifestação e definição, ou colocar-se a ela e fazer a guerra com ousadia temerária. Mas se alguém se presumir intentar fazê-lo, saiba que incorrerá na indignação de Deus e dos santos apóstolos Pedro e Paulo.

Dado o 8 de dezembro de 1854.

Pio IX